Israel Reinstein
De Curitiba
Cerca de 200 mil pessoas visitaram ontem os 21 cemitérios situados em Curitiba. O diretor do Departamento de Serviços Especiais da Prefeitura de Curitiba, Paulo Polati, acredita que o movimento maior ficou concentrado nos cinco cemitérios municipais (São Francisco de Paula, Boqueirão, Santa Cândida, Água Verde e Parque São Pedro, no bairro Umbará), onde 80 mil visitantes passaram, durante os quatro dias de feriadão. ‘‘O tempo bom facilitou as visitas’’, afirmou.
Filas se formaram nos túmulos de celebridades, como o do ex-presidente da Assembléia Legislativa, Aníbal Khury
Polati disse que o movimento foi intenso, depois das 15 horas, nos cemitérios do Água Verde, Boqueirão e Santa Cândida. ‘‘Normalmente, concentram as visitas para depois do almoço, dificultando a movimentação nas ruas dos cemitérios’’, disse. Ele contou que nos túmulos onde estão celebridades se formaram filas, como o do deputado Aníbal Khury. No cemitério Parque Iguaçu, além da família, alguns curiosos e admiradores prestaram homenagem ao ex-presidente da Assembléia Legislativa do Paraná.
Mas o túmulo mais visitado foi o de Maria Bueno, que está enterrada no Cemitério São Francisco de Paula (Municipal). A jovem, que era prostituta, foi assassinada em 1893 pelo amante. Após a sua morte, algumas pessoas afirmaram que seus pedidos teriam sido atendidos por ela. Desde então as pessoas visitam seu túmulo, deixam rosas e fazem pedidos. ‘‘O culto a Maria Bueno não é reconhecido pela Igreja’’, explicou o bispo auxiliar de Curitiba, Dom Moacir Vitti.
Ele afirmou que o Dia de Finados serve para que as pessoas repensem o significado da vida. Para o bispo, a ressurreição de Jesus Cristo é um dos pontos discutidos nessa data. Além da missa católica, foram realizados diversos cultos ecumênicos e evangélicos no Cemitério Municipal. No Cemitério Parque São Pedro, foi realizada uma revoada de pombos, após uma missa e apresentação de um coral.
‘‘É importante ter esse apoio espiritual, quando a gente realiza a homenagem aos nossos parentes que se foram’’, comentou Fabíola Andrey. A responsável de produção veio de Florianópolis (SC) para homenagear a mãe, que está enterrada no Cemitério Água Verde. ‘‘Trouxe uma homenagem especial, que são vasos de amor-perfeito que plantei para ela’’, disse Fabíola Andrey, que viajou com as flores para colocá-las ao lado do túmulo.
Também a dona de casa Rosângela Marques trouxe suas flores para homenagear os pais. ‘‘É preciso enfeitar o túmulo, para deixá-lo bem arrumado hoje (ontem)’’, disse. Rosângela comprou as flores em um supermercado.
‘‘Muita gente trouxe flores do supermercado, atrapalhando o negócios de nós, floricultores’’, reclamou Victor Haluch, que trabalha no Cemitério Água Verde há 25 anos. ‘‘Os supermercados fazem uma concorrência desleal, vendendo as flores abaixo do custo’’, disse. Ele propõe a proibição da venda em mercados, da mesma forma que foi feito este ano em relação ao camelôs.
Durante todo o dia agentes da Diretran estiveram controlando o trânsito nas áreas próximas dos cemitérios mais movimentados da cidade. A Polícia Montada também trabalhou para evitar assaltos e roubos de carros.

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