Cemitério São Pedro é alvo de vândalos
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quarta-feira, 14 de junho de 2000
Osmani Costa De Londrina 
Depois de alguns meses de quase normalidade, uma nova onda de vandalismo vem atingindo alguns cemitérios públicos de Londrina. O mais visado pelos vândalos, que depredam túmulos e capelas, tem sido o Cemitério São Pedro, o maior e mais central da cidade. De acordo com funcionários da Administração de Cemitérios e Serviços Funerários (Acesf), os ataques acontecem no período noturno, quando não há vigias no local.
O último ataque ocorreu no final de semana, quando os vândalos quebraram vidros, vasos, imagens de santos, placas com nomes e fotos de famílias e outros objetos de dezenas de capelas mortuárias. Acho que estas pessoas são de um grupo de consumidores de drogas. Eles não roubam nada. Vêm aqui à noite, devem fumar, e depois quebram o que acham pela frente. É uma falta de respeito, afirma José Maria da Silva, chefe da equipe de funcionários da Acesf no São Pedro.
Segundo ele, o problema, que sempre existiu em escala menor, aumentou muito desde o início do ano, época em que os dois vigias noturnos que cuidavam do cemitério central foram transferidos para o Cemitério Jardim da Saudade, na zona norte de Londrina. O muro é baixo, fácil dos vândalos pularem. É duro, mas nem aqui no cemitério as pessoas têm sossego. Acho que estes criminosos deveriam ser presos; eles têm o diabo na cabeça, comenta Silva.
O chefe da equipe explica que alguns parentes de mortos reclamam da Acesf, pela depredação dos túmulos, mas que é muito difícil evitar os ataques dos vândalos. Não podemos fazer nada. De dia estamos aqui e garantimos a segurança do cemitério. Mas de noite fica difícil, sem vigilância armada, de evitar a invasão e o vandalismo, diz, ressaltando que a administração da Acesf não reforma as capelas atingidas e apenas comunica a família dos proprietários sobre o incidente.
O pedreiro Miguel José, que há 30 anos trabalha na construção e reforma de túmulos do São Pedro, conta que o vandalismo sempre existiu, mas que agora ele está passando dos limites. Está demais; quase toda semana esta moçada faz um estrago aqui. O parentes dos mortos reclamam, ficam uma arara com razão. Os caras fumam, se drogam, entram aqui e quebram tudo. Eles são violentos. Só a polícia, bem armada, para acabar com isto, opina o pedreiro.
O comerciante Ramiro Silvestre, que ontem à tarde visitava o túmulo de um parente, se disse espantado com o número de capelas depredadas pelos vândalos. A do meu tio não foi atingida. Mas se fosse, eu entraria na Justiça contra a Acesf. Ela tem que garantir a segurança aqui dentro, nem que seja pedindo ajuda da Polícia Militar. O que não dá é para aceitar calado este tipo de vandalismo dentro de um cemitério.
O muro do São Pedro é baixo e fácil de pular, principipalmente nos lados das avenidas Rio de Janeiro e Juscelino Kubitscheck. Mas não é apenas o cemitério central o alvo do vandalismo. O Cemitério Anchieta, no Jardim Ideal (zona leste), também sofre com os ataques dos vândalos mesmo depois de ter colocado uma cerca de arame farpado acima do muro, cuja altura passa dos 2,5 metros.
Sem vigia noturno, os desocupados e ladrões continuam entrando aqui de vez em quando. Além de quebrarem vidros, vasos e outros objetos dos túmulos, no mês passado entraram no nosso almoxarifado e levaram umas botinas e ferramentas de trabalho da gente, diz o funcionário da Acesf João Batista Martins, que trabalha no Anchieta há sete anos.


