Cemitério cresce mais que a cidade
Os números finais extra-oficiais do Censo 2000 em Campo Mourão, divulgados esta semana pelo escritório local do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), revelam um dado curioso: em quatro anos (o último censo foi realizado em 1996), o município ganhou 906 habitantes, enquanto o Cemitério Municipal São Judas Tadeu recebeu, entre 96 e 99, 1.973 novos moradores.
Com isso, Campo Mourão, que tinha 79.508 habitantes em 1996, agora tem 80.414. Já o único cemitério do perímetro urbano pulou de 13 mil para 15 mil pessoas enterradas. Enquanto no município a taxa de crescimento da população foi de 1,14%, no cemitério esse índice é de aproximadamente 15% no mesmo período. Os números, no entanto, não significam que estejam morrendo mais pessoas do que nascendo em Campo Mourão.
Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, nascem, em média, 150 crianças por mês na cidade. A administração do Cemitério Municipal diz que a média é de 40 mortes mensais. Nos 11 primeiros meses deste ano, por exemplo, foram sepultadas no São Judas Tadeu 440 pessoas. Pela média da Saúde, teriam nascido 1.650 bebês. O saldo positivo médio, por mês, entretanto, não tem seguido a mesma proporção pela contagem do IBGE.
As pessoas estão indo embora, diz o chefe do escritório regional do IBGE, Devair de Jesus Souza. O Ipardes, órgão de estatística do governo do Estado, tem projeções que mostram queda populacional na grande maioria das cidades paranaenses. No caso de Campo Mourão, a projeção é que até 2010 o município tenha 75 mil habitantes, 5 mil a menos que o constatado pelo Censo 2000 e exatamente o mesmo número apurado no censo de 1970.
Para Souza, muitas pessoas que não acreditam que Campo Mourão tenha crescido tão pouco não levam em conta que existem mortes. O prefeito Tauillo Tezelli (PPS) não contesta os dados do IBGE, mas não esconde que esperava uma população um pouco maior. Pelo número de construções na cidade, imaginava de 83 mil a 84 mil habitantes, disse. Para o presidente da Câmara, o sociólogo José Eugênio Maciel (PPS), parece haver uma disparidade estatística.
Temos que verificar se nossos índices de nascimentos e de mortes estão dentro da normalidade, frisou Maciel. Ele lembrou que o próprio IBGE diz que houve aumento da expectativa de vida dos brasileiros. O crescimento da ocupação do cemitério, no entanto, é visível. Há vagas para novos enterros somente com remoções feitas em sepulturas abandonadas. Além disso, apenas duas cidades da região Goioerê e Ubiratã têm população viva maior do que a do cemitério de Campo Mourão.
Pela média matemática simples, nesse ritmo de 480 mortes por ano e 226 nascimentos anuais, só em 350 anos a população do cemitério ficaria maior do que a da cidade. Mas os cálculos não são tão simples assim, explica o professor de matemática Mauri Ceolin. Existem uma série de variáveis que precisam ser aplicadas, uma vez que o número de mortes e de nascimentos vai aumentar à medida que a população crescer.





