Graças às pesquisas com células-tronco, dentro de alguns anos o Brasil poderá reduzir significativamente os gastos com tratamentos de doenças cardíacas. Isto porque enquanto o Ministério da Saúde paga de R$ 40 a R$ 50 mil por um transplante de coração (só o procedimento cirúrgico, sem contar os gastos com medicamentos e possíveis reinternações), gasta em torno de R$ 10 mil com um transplante de células-tronco que, pelos resultados já obtidos pela pesquisa, pode em muitos casos evitar a cirurgia. Em se tratando de pacientes com doença de Chagas, as perspectivas são tão boas que deverão evitar a maioria dos transplantes de coração.
Projeto denominado ''Terapia Celular na Forma da Doença de Chagas'', apresentado ontem no I Simpósio Tendências da Biologia Contemporânea: Células Tronco e Reprodução Humana, realizado na Universidade Estadual de Londrina (UEL), traz ótimas perspectivas. ''Além do menor custo, não há risco de rejeição, por tratar-se de um transplante autólogo'', explica o professor Ricardo Ribeiro dos Santos, coordenador do Instituto do Milênio de Bioengenharia Tecidual (IMBT), que integra todas as pesquisas com células-tronco no País, e pesquisador da Fundação Osvaldo Cruz (Fiocruz). Segundo ele, dentro de cinco anos a tecnologia poderá estar disponível a toda a população.
O professor explica que as pesquisas com pacientes de Chagas começaram em 2003 e estão em fase de validação dos procedimentos. ''Começamos agora a testar a eficácia do tratamento. São 14 centros participantes (entre eles o Hospital Universitário de Londrina), com 300 pacientes envolvidos. Metade destes vai ser submetida ao transplante celular. Depois de seis meses a um ano serão comparados os resultados obtidos com os dois grupos'', esclarece Santos. A pesquisa faz parte de projeto do Ministério da Saúde, que coloca o Brasil em posição de destaque na área. ''Somos o único país a pesquisar o uso de células-tronco em pacientes de Chagas e estamos começando a testar a terapia em doenças no fígado.''
Na última quinta-feira, uma paciente de 52 anos foi submetida ao procedimento no HU de Londrina, onde 15 profissionais participam da pesquisa. A técnica consiste em retirar as células da medula óssea do próprio paciente e injetá-las por cateter ao coração, através da artéria femural. As chegar no músculo cardíaco, as células-tronco atuam liberando hormônios celulares; transformando-se em novas células; produzindo novos vasos no coração, melhorando a irrigação do órgão; e fundindo-se à célula doente, restaurando suas funções. ''Experimentalmente, todos estes mecanismos já foram comprovados'', enfatiza o pesquisador.

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