Celina e Beatriz serão julgadas primeiro
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terça-feira, 10 de março de 1998
Cristine Pieske 
Arquivo FolhaNa vezJúri de Celina e Beatriz Abagge está marcado para o dia 23 deste mês, mas advogado quer afastar dois promotoresCom a transferência do julgamento de Osvaldo Marcineiro, Davi Soares e Vicente de Paula para o dia 22 de abril, Celina e Beatriz Abagge passam a ser as primeiras a se submeter a júri popular no Fórum de São José dos Pinhais no polêmico caso do ritual de magia negra de seis anos atrás, em Guaratuba (Litoral do Paraná), que teria levado à morte o garoto Evandro Ramos Caetano, à época com sete anos de idade.
A data de julgamento de Celina e Beatriz, acusadas de terem sido as mandantes do sequestro e sacrifício de Evandro, ainda poderá ser alterada por um pedido de habeas corpus ajuizado pelo advogado de defesa da família, Osmann de Oliveira, solicitando o afastamento dos dois promotores auxiliares, Celso Ribas e Raimundo Soares. Até o momento, o júri de Celina e Beatriz Abagge permanece marcado para o dia 23 deste mês, mas o advogado afirma que poderá recorrer até mesmo ao Supremo Tribunal de Justiça (STJ) para conseguir o afastamento dos promotores. Enquanto o Ministério Público insistir na estupidez de manter os promotores, o julgamento corre risco de não ser realizado, ameaça.
O dia do julgamento dos réus Airton Bardelli e Sérgio Cristofolini também foi alterado anteontem pela juíza Marcelize Weber Lorite, para não coincidir com a Semama Santa. Eles deverão ser julgados no dia 13 de abril, dez dias antes da realização do novo julgamento de Marcineiro, Soares e Paula.
A dissolução da sessão do júri, às 22h15 de anteontem, devido a problemas de saúde de uma jurada, deu-se a 45 minutos de uma interrupção para descanso, prevista para as 23 horas. Segundo advogados consultados pela Folha, o adiamento poderia ter sido evitado se a jurada Valcenir Jean Bernardino tivesse admitido que não tinha condições médicas para participar do júri. Há dez dias, a professora, de 55 anos, submeteu-se a uma cirurgia de varizes na perna direita e ainda está em recuperação.
Quando foi sorteada entre os 21 jurados titulares e aceita pela acusação e pela defesa para compor o júri, no entanto, Valcenir não revelou o problema. Depois de oito horas de instaurado o julgamento, a professora sentiu-se mal e o corpo de jurados precisou ser desfeito. O advogado da defesa, Antonio Figueiredo Basto, e o promotor público responsável pela acusação, Celso Ribas, não se opuseram à suspensão do júri.
A mãe de Evandro, Maria Ramos Caetano, que acompanhava o relato de Marcineiro, ficou revoltada com a decisão da juíza e disse que tudo havia sido uma grande palhaçada da Justiça. A determinação da juíza para que o Conselho de Sentença fosse dissolvido está apoiada em um dos artigos do Código Processual brasileiro, que impede que qualquer membro do júri seja substituído depois de o julgamento ter começado. A lei tenta impedir que a votação do júri seja feita por pessoas que não acompanharam desde o início o relato do réu e o interrogatório das testemunhas. A lei prevê também que o corpo de jurados deve ser desfeito sempre que algum dos membros não puder participar das sessões, o que inclui problemas de saúde como os apresentados pela professora Valcenir Bernardino.
Todos nós saímos perdendo com esse problema, mas a integridade física dos jurados também é nossa preocupação, disse o promotor Celso Ribas. Ao final do pronunciamento da juíza, o promotor, que descarta a possibilidade da dissolução do júri ter sido orquestrada pelos advogados de defesa, para adiar o julgamento, lembrou que várias manobras já foram usadas para protelar a resolução do caso. Ele se referia ao julgamento das principais suspeitas da morte de Evandro, Celina e Beatriz Abagge, várias vezes adiado. Se alguns advogados voltarem a utilizar expedientes excusos, este julgamento corre sério risco de não terminar nunca, afirmou.


