Albari RosaAcusadasCelina e Beatriz são apontadas como mandantes da morte de Evandro Caetano, num ritual de magia negraComeça hoje, às 13 horas, no Fórum de São José dos Pinhais, o julgamento de Celina e Beatriz Abagge, mãe e filha, acusadas de terem sido as mandantes do assassinato do menino Evandro Ramos Caetano, em suposto ritual de magia negra, em abril de 1992, em Guaratuba.
A juíza Marcelise Weber Lorite, que preside o julgamento, pediu aos jurados convocados que preparem uma mala de roupas para passarem fora de casa o tempo que durar o julgamento, que pode ser de sete a oito dias. Dos 42 jurados, após sorteio, sete vão compor o Conselho de Sentença. A juíza tenta evitar problemas que possam adiar o julgamento, a exemplo do que ocorreu no dia 9 de março, quando teve que suspender o primeiro júri de mais três acusados de terem matado Evandro Caetano. A jurada Valcenir Jean Bernardino, recém-operada das varizes, sentiu-se mal e foi hospitalizada.
Os jurados sorteados vão estar sempre acompanhados de oficiais de justiça e devem ser alojados na Academia Militar do Guatupê, entre Curitiba e São José dos Pinhais. Eles não poderão utilizar pagers (bips) ou telefones celulares.
Os promotores Celso Peixoto Ribas, Rosana Maria Longo de Paula Santos Lima, titular da Vara Criminal de São José dos Pinhais, e Raimundo Nogueira Soares, de Londrina, atuam na acusação. Os advogados Ronaldo Botelho, Luís Carlos Maister, Osmann de Oliveira e Antonio Augusto Figueiredo Bastos, auxiliados pelo perito aposentado Ari Fontana, fazem a defesa das acusadas.
O processo tem 72 volumes, com mais de 16 mil páginas. A acusação sustenta que o número de provas levantadas pelos peritos e médicos do Instituto Médico Legal é suficiente para condenar mãe e filha. A defesa pretende demonstrar que as confissões de Celina e Beatriz, feitas durante o inquérito policial, foram obtidas sob tortura. ‘‘Nós vamos mostrar os verdadeiros fatos e deixaremos claro a grande mentira em que está envolta a morte deste menino’’, afirma o advogado Figueiredo Bastos.
Em entrevista à Folha, Celina e Beatriz afirmaram que o Governo do Estado as usou para justificar o grande número de crianças desaparecidas no Paraná, na época. Elas afirmam inocência no caso. ‘‘Até agora não conseguimos descobrir a razão de sermos envolvidas nesta trama suja’’, dizem. Elas garantem que estão tranquilas e confiantes na absolvição.
Celina e Beatriz foram presas na Penitenciária Feminina de Piraquara, Região Metropolitana de Curitiba, em julho de 1992. Uma fita gravada, apresentada pela Polícia, mostra depoimentos das duas, nos quais assumiram ser mandantes do crime. Desde o início elas dizem que tudo foi obtido sob tortura. Nos últimos dois anos elas ficaram em prisão domiliciar.
O júri dos outros cinco réus foi desmembrado em dois julgamentos. No dia 13 de abril serão julgados Aírton Bardeli dos Santos e Francisco Sérgio Cristofolini. Osvaldo Marcineiro, Vicente de Paula Ferreira e Davi dos Santos Soares serão julgados no dia 22 de abril, todos no Fórum Criminal de São José dos Pinhais.

mockup