Celebrações de Finados movimentam cemitérios em Londrina
Familiares e amigos consideram que gesto fortalece sentimento de gratidão e reconhecimento a quem já se foi
PUBLICAÇÃO
sábado, 02 de novembro de 2024
Familiares e amigos consideram que gesto fortalece sentimento de gratidão e reconhecimento a quem já se foi
Walkiria Vieira 

As celebrações do Dia de Finados neste sábado (2), em Londrina, foram marcadas por missas e também homenagens reservadas. Desde a abertura dos portões dos cemitérios, às 7 horas da manhã, a circulação de pessoas foi intensa e contou com apoio de agentes da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) para garantir a segurança de motoristas, pedestres e também a dos ambulantes. As visitas seguem até as 17 horas.
No Cemitério São Pedro, área central, muitos visitantes compraram flores na entrada e um dos pontos de comércio era o da família de Rômulo Romagnolli. Ele participou do edital de chamamento, é a primeira vez que atua como ambulante e demonstrou satisfação pela procura. Os crisântemos brancos são os mais procurados de acordo com os vendedores e cada vaso grande custava R$20 reais. O pacote de velas, R$ 8 reais

Entre os itens que poderão ser comercializados estão flores naturais, velas, fósforos, água mineral, refrigerante em lata e sucos industrializados, previstos no Código de Posturas do Município (Lei n° 11.468/2011). Bebidas alcoólicas, produtos derivados do tabaco, flores artificiais e artesanais estão proibidos.

A médica Heloisa Nakamura cuida com muito asseio da capela reservada a sua família. Todas as semanas, faz a troca das flores, limpa e dedica momentos de oração. No jazigo estão seu pai e avós. "Desde 1955 mantemos e como eu moro mais perto e no momento minha mãe está acamada, sou a que mais venho". Nakamura explica que o hábito da mãe segue renovado e no Dia de Finados não poderia ser diferente.
LUGAR DE SENTIMENTO
Vizinha ao cemitério, Lúcia Vitor Ramos atua como zeladora particular dos jazigos. Embora todas as unidades de sua responsabilidade estejam em ordem, ela preferiu dar uma conferida na situação neste Dia de Finados. "Por causa da chuva, preferi vir e passar um rodinho porque fica melhor para as famílias".

Ramos explica que sua irmã começou esse trabalho 30 anos atrás e há três é ela a responsável. "Minha irmã está fazendo um tratamento médico e eu me sinto muito bem com esse trabalho. Até ontem eram 100 famílias, agora são 103", conta.
No Cemitério Parque das Oliveiras, o seu trabalho é de trocar as flores. "Eu compro, troco, jogo no lixo o que precisa e se necessário corto galho e faço reparos. Depois, passo o valor da compra e serviço e o responsável faz o Pix".

Segundo a zeladora, as famílias são muito gratas. "Aqui é um lugar de muito sentimento e significado. Muitas famílias são de outras cidades como São Paulo e a maioria que aqui vive e trabalha não tem tempo para manutenção por causa dos horários, mas querem manter apresentável. Desse jeito, quando chegam para visitar o local de descanso do ente, está cuidado", sorri.
TEMPO DE RECOLHIMENTO
Em todos os cemitérios, a conscientização acerca dos cuidados para prevenir a proliferação do mosquito da dengue é permanente e uma das regras é a retirada das embalagens plásticas das flores. Neste Dia de Finados, logo na entrada, uma equipe abordava os visitantes e ajudava na retirada de embalagens com o devido descarte.
No Cemitério Jardim da Saudade, localizado na avenida Saul Elkind, a concentração de visitantes e ambulantes saltava aos olhos e a presença da CMTU foi proporcional ao grande número de pessoas. A mesma planta do cemitério do centro era vendida na Saul Elkind por R$25 reais e o pacote de velas, R$10.
A missa que começou às 9 horas e terminou às 10 horas reuniu a maioria dos presentes no ponto da celebração, ao mesmo tempo em que uma parte de quem foi prestar homenagem preferiu o recolhimento e a intimidade. É o caso das moradoras da região Norte, Maria Aparecida Nazário e Gisele. Com flores, velas e carregadas de memórias, mãe e filha reservaram um momento na quadra de número 9 do Cemitério Jardim da Saudade.

Serenas, consideram que a data é importante e se sentem bem com a visita e as homenagens que fazem - ainda que em silêncio. Nos pensamentos, fé e gratidão. "Fé pela vida e gratidão pela convivência que tivemos com pessoas tão importantes e tudo o que representaram. "Aqui estão meu pai, meu avós e um tio", explica Gisele.



