Celebração das Águas reúne centenas no Tibagi
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domingo, 09 de março de 2008
Mariana Guerin<br> Reportagem Local 
Jataizinho - ''Águas escuras dos rios, que levam a fertilidade ao sertão. Águas que banham aldeias e matam a sede da população.'' A terra é mesmo o planeta água como definiu o poeta ao pensar a música. E para celebrar a importância da água para a vida do planeta e dos seres humanos, moradores de Jataizinho e região participaram de uma caminhada sobre a ponte do Rio Tibagi, na manhã de ontem.
Há seis anos a Comissão Pastoral da Terra do Paraná organiza a Celebração das Águas, como recordou a agente da comissão Isabel Cristina Diniz. Segundo ela, a idéia de caminhar em prol da preservação dos rios nasceu no final da década passada, quando surgiram os primeiros projetos de construção de usinas ao longo das margens do Tibagi, o mais importante rio paranaense.
Com 24 mil quilômetros de extensão, o Tibagi nasce na região de Palmeira, próximo a Curitiba, e corta 48 municípios paranaenses. Além das matas e cachoeiras, as margens do rio são palco de uma importante diversidade biológica e de comunidades ribeirinhas, assegurou Isabel.
Conforme ela, a celebração está sempre ligada ao tema proposto pela Campanha da Fraternidade. ''Este ano, a igreja fala da vida e cuidar da água é cuidar da vida'', justificou Isabel, lembrando que o mês de março foi escolhido para a realização do ato porque reúne duas datas importantes para a campanha: o Dia Internacional da Luta contra Barragens, comemorado no dia 14, e o Dia das Águas, celebrado em 22 de março.
''A caminhada celebra a luta e resistência das comunidades ribeirinhas ameaçadas pelas barragens e também chama a comunidade para debater sobre o assunto'', declarou Isabel. Durante a celebração, participantes se revezaram no carregamento de uma cruz de madeira, símbolo da luta das comunidades ribeirinhas. A cada parada sobre a ponte, o povo refletia sobre temas ligados à preservação da água: monocultivos, queimadas, desmatamento das matas ciliares, uso indiscriminado de defensivos agrícolas, especulação imobiliária, lixo, entre outros.
Para o empresário João Manuel Santana, que atua na Pastoral da Fé e Política de Jataizinho, ainda falta participação do povo na defesa dos rios. ''Muitos não pensam no amanhã, continuam jogando lixo doméstico na beira do rio, fazendo pesca predatória, cercando o rio com redes. Será que nossos filhos vão conhecer os peixes nativos do Tibagi se continuar assim?''
Com garrafas de água em mãos, os participantes ajoelharam sobre a ponte e oraram, pedindo perdão pelos maus tratos ao rio. Em seguida, caminharam até a margem do Tibagi, onde foi realizada uma missa e o benzimento das águas. Muitas famílias trouxeram água de casa e misturaram às águas do rio num gesto de compromisso com a preservação do Tibagi.


