Celebração das Águas defende a preservação dos rios
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domingo, 11 de março de 2007
Fernanda Borges<br>Reportagem Local 
Embaixo de sombrinhas, folhas de bananeira ou até mesmo expostos ao intenso calor do sol, moradores de Jataizinho (21 km a leste de Londrina) e região, se reuniram em defesa ao Rio Tibagi, na manhã de ontem. O evento, realizado pela Comissão Pastoral da Terra (CPT), em parceria com a Arquidiocese de Londrina e Diocese de Cornélio Procópio, mobilizou cerca de 400 pessoas pelo sexto ano consecutivo que, em passeata, recitaram cantos em homenagem aos rios nas margens do Tibagi, próximo à Rodovia BR 369, na entrada da cidade de Jataizinho.
Realizado sempre em março, mês em que se comemora o Dia Internacional da Luta Contra as Barragens (dia 14) e Dia Internacional da Água (dia 22), o evento tem como objetivo conscientizar a população quanto a importância dos rios e do meio ambiente. Segundo a agente da CPT, Isabel Cristina Diniz, da comissão organizadora, a idéia é que o ato possa ganhar ainda mais dimensão a cada ano, para alertar a população ribeirinha sobre os impactos ambientais causados por conta da instalação das usinas hidrelétricas.
''Estamos aqui para defender questões da terra e alertar a população da importância de se preservar os rios. O Rio Tibagi é nossa principal fonte de abastecimento. Podemos ter outras fontes de energia, além disso, usinas podem ser ampliadas para que não aja a necessidade de se construir outras'', disse.
''Não a construção da Usina de Mauá'', ''Não às barragens do Rio Tibagi'', ''Pela preservação das águas''. Em meio a cartazes com esses dizeres, pescadores retiraram do rio uma cruz que havia sido colocada dentro de um barco para uma homenagem às águas. O ato contou também com a participação da comunidade, que em grupos, retirou baldes de água do rio e os carregaram, seguindo em passeata até a igreja matriz de Jataizinho, para a realização de mais um ato em celebração à terra e às águas.
Celebrando também o tema da Campanha da Fraternidade deste ano, ''Amazônia: Vida e Missão, Neste Chão'', adeptos ao movimento tocaram a terra em representação à Amazônia. ''Nós sabemos que se houver a instalação de barragens aqui, nós mesmos é que vamos sofrer. Acredito que o povo tem muita força e que é capaz de fazer acontecer mudanças em relação às intenções dos nossos políticos'', comentou a moradora de Jataizinho, Marlei Murare, que participa do avento desde a sua primeira edição.
Para o padre de Tamarana, José Onero, a poluição tem acontecido por falta de cuidados da própria população que, segundo ele, deve cobrar o poder público outras alternativas de fonte de energia. ''Falta mais reflexão sobre o assunto e esse ato repercute na atitude e compreensão das pessoas'', disse.
Preocupado com as questões ambientais, o lavrador de Uraí (26 km a oeste de Cornélio Procópio), Antônio Eduardo da Silva levou toda a família para Jataizinho. ''Todos os anos eu participo. Acho que devemos fazer a nossa parte e cuidar mais dos nossos rios, pensando num futuro melhor'', comentou.


