Celebração da cultura japonesa
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sexta-feira, 19 de junho de 2015
Rafael Souza<br>Reportagem Local 
Apucarana - Maior evento do calendário de Apucarana, a Festa da Cerejeira chega a sua 21ª edição em 2015 com uma programação bastante diversificada. Criada com o objetivo de fortalecer a cultura japonesa, importante na colonização da cidade, a festa é hoje uma grande mistura de tradições e abre espaço também para outras etnias. Destaque para as danças alemãs, além, é claro, dos quitutes e apresentações essencialmente japoneses.
A meta este ano é alcançar a marca de 30 mil visitantes. Para isso, a organização ampliou o número de expositores das Feiras da Indústria e Comércio e de Pequenos Produtores. Segundo o presidente da Associação Cultural e Esportiva de Apucarana (Acea), Paulo Yoshii, são de mais 50, apresentando ao público opções diversas, que vão desde comidas típicas e flores a carros. "A festa atingiu um potencial muito grande e vem crescendo, apesar da crise. A expectativa novamente é muito positiva", ressaltou. "Como é a maior do município, convidamos outras etnias para fazerem parte", acrescentou o presidente.
A etnia nipônica é uma das mais importantes na colonização de Apucarana e do Norte do Paraná. As primeiras famílias de imigrantes japoneses aportaram no município em 1936. Vale ressaltar que neste ano a Festa da Cerejeira foi oficialmente declarada como "patrimônio histórico, cultural e artístico do município", mediante lei aprovada pelo Legislativo e sancionada pelo Executivo.
A festa é realizada sempre nesta época para coincidir com a florada das cerejeiras, espécie originadas do sul do Japão e trazida pelos orientais ao Brasil. O momento é esperado com ansiedade pelas famílias apucaranenses. O militar Arivanildo Amorim não perde uma edição e leva a família toda. "Já é uma tradição nossa. Aqui tem arte, e gostamos desse contato com a cultura japonesa, principalmente poder trazer nossas filhas para conhecerem", contou ele, enquanto passeava ao lado da mulher Paula Denise e das filhas Maria Júlia e Sophia.
A fama da festa já atravessou as fronteiras do Estado e chegou aos vizinhos paulistas. Uma comitiva da Associação Cultural, Esportiva e Recreativa de Tupã (Acert) compareceu pela primeira vez para conhecer de perto as atrações. "Sou nissei (filho de japoneses) e tenho uma ligação muito forte com a cultura, estudo a língua e gosto de acompanhar e participar de eventos como este", disse Kenji Nomi. Admiradora de flores, a bancária aposentada Alice Nomi fez questão de registrar a imensa coleção de orquídeas. "Gostei muito, valeu a viagem", elogiou ela, que também integra a excursão vinda do interior paulista.
A praça de alimentação merece um capítulo à parte pela quantidade guloseimas. Não dá para ir embora sem experimentar os tradicionais yakisoba e sukyaki, cujo preparo movimenta uma tropa de mais 50 pessoas.
A Festa da Cerejeira mantém ainda estandes do Salão do Automóvel e exposição de carros antigos. A programação artística e cultural também inclui apresentações de Taikô (tambores), Sakurá Odori (dança da Cerejeira), Bon Odori (reverencia aos antepassados) e outras atrações da cultura oriental e também da cultura regional.
Parte da renda será destinada à manutenção da sede da Acea, onde está sendo realizado o evento. A exemplo das edições anteriores, também foram distribuídos ingressos da festa para dez entidades sociais, ao custo de R$ 2, renda que será revertida em benefício das próprias entidades que estão comercializando os bilhetes. O evento foi aberto na última quinta-feira e vai até amanhã.
Hoje a programação será aberta às 11 horas, com o almoço, e vai até 23 horas. A partir das 17 horas, estão previstas apresentações de Sakurá Odori (danças das cerejeiras) e Taikô, das bandas Matsuri Dance, Show Band e da dupla Zezeti e Ademir.


