Celas do 7º e 10º DP são interditadas
Luciana Pombo
De Curitiba
O juiz Roberto Antonio Massaro, corregedor dos presídios da Comarca de Curitiba, pediu ontem a interdição parcial de dois distritos policiais de Curitiba, o 7º (Vila Hauer) e o 10º (Sítio Cercado). O pedido foi cumprido ainda pela manhã pelo oficial de justiça Márcio Borges Carneiro, que visitou os distritos e passou todas as orientações aos delegados responsáveis. A partir de agora, esses distritos não poderão receber mais qualquer preso, declarou ele. Foi feita uma contagem nominal de todos os encarcerados para evitar a substituição de presos nas celas. O 7º distrito, com capacidade para 40 presos, estava abrigando 103 detentos. Já o 10º distrito, com capacidade para menos de 20 pessoas, estava com 35 presos. Cada preso tem direito assegurado a seis metros quadrados numa cela. Nestes locais, dez presos ocupam este mesmo espaço, argumentou ele.
Esta deverá ser apenas a primeira atitude tomada por Massaro para diminuir o problema de superlotação e maus tratos nas cadeias públicas em Curitiba. Desde que recebeu o relatório da Pastoral Carcerária, Ordem dos Advogados do Brasil, subseção Paraná (OAB-PR), e do Conselho da Comunidade, o juiz corregedor tem tentado buscar soluções. Já pedimos providências da Secretaria da Segurança Pública e dos delegados dos distritos e queremos saber a real situação de cada cadeia da cidade, alegou.
Além de casos de falta de higiene e maus tratos de presos em distritos e delegacias, as constantes fugas também assustam o juiz corregedor. Por esta razão, Massaro disse que vai pedir a intervenção da Promotoria de Investigações Criminais (PIC) para analisar os casos de fugas nos distritos. Alguém precisa ser responsabilizado por isto, salientou ele.
A interdição parcial das carceragens poderá ser estendida para outros distritos policiais. De acordo com Massaro, os casos do 8º (Portão) e do 11º (Cidade Industrial de Curitiba) estão sendo analisados. O que queremos é melhorar as condições dos presos, garantiu ele.
Hoje, às 16 horas, na Vara de Execuções Penais, o juiz terá uma reunião com o Conselho da Comunidade para expor as providências que estão sendo tomadas em relação ao relatório apresentado, que tem 800 páginas de relatos sobre torturas, falta de condições de saúde e tratamento subumano dos presos. O relato mostra que para cada vaga nas cadeias públicas da cidade existem quatro presos. Dos 800 detentos na Grande Curitiba, um terço é condenado e aguarda vaga no Sistema Penitenciário. As condições são absurdas. Tem distritos com pau-de-arara, numa clara demonstração de tortura e locais onde os presos precisam fazer rodízio para dormir, afirmou Luiz Nascimento, representante da OAB no Conselho da Comunidade.
O secretário de Estado da Segurança Pública, Cândido Martins de Oliveira, disse que a solução para o problema terá que ser encontrada em conjunto por setores da Justiça e da própria segurança pública. Temos muitos presos condenados nos distritos e que deveriam estar nas penitenciárias. Não podemos deixar de prender os marginais, alegou ele. Oliveira determinou que sua assessoria especial percorra os distritos permanentemente e analise a situação jurídica dos detentos. Estamos fazendo a nossa parte, garantiu.Distritos estão impedidos de receber novos presos por determinação do juiz Roberto Antonio Massaro, para evitar a superlotação
Arquivo FolhaSUPERLOTAÇÃOO 10º Distrito Policial, no Sítio Cercado, tem capacidade para menos de 20 pessoas, mas abrigava ontem 35





