CEIs filantrópicas pedem socorro
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terça-feira, 07 de fevereiro de 2012
Érika Gonçalves <br> Reportagem Local 
Já foi o tempo em que as crianças eram deixadas nas creches e berçários apenas por não terem quem cuidasse delas enquanto os pais trabalhavam. Atualmente, mesmo os mais novos já ficam sob a supervisão de professores e, mais do que simples brincadeiras, vão sendo estimulados a interagir e desenvolver diversas habilidades.
Todo esse cuidado tem um preço e nem todos os pais podem arcar com esses gastos em escolas participares. A saída é recorrer aos Centros de Educação Infantil (CEIs) públicas ou filantrópicas, que tiveram que se equipar e contratar profissionais especializados, além de obedecer normas rígidas quanto a metragem de salas, higiene e conteúdo educacional, entre outros. O problema em muitas dessas instituições filantrópicas é a falta de recursos.
No final de janeiro os Centros Francisco Seixas, no Jardim União da Vitória (Zona Sul), e o Regina Barros, no Conjunto Violin (Zona Norte), foram entregues à prefeitura e serão municipalizados. Os CEIs João Rampazzo, no Distrito de São Luiz, e Rafaela Kemmer, na Zona Norte, também estão sendo entregues à prefeitura.
Para evitar que isso aconteça, as entidades filantrópicas precisam usar de muita criatividade e contar com a colaboração da sociedade e dos pais. O repasse feito pela prefeitura é de R$ 121 e, além disso, os CEIs recebem a merenda. O valor deve ser usado para pagamento de pessoal e contas como água, luz e telefone.
No Jardim São Jorge (Zona Norte), o CEI Nova Vida atende 124 crianças, de 1 a 5 anos, em período integral. No local elas recebem quatro refeições e vão para casa de banho tomado. A instituição é mantida com recursos municipais, parcerias com empresas privadas, projetos e também verba da própria diretoria, formada por pessoas da comunidade. Entre professores e outros profissionais, são 15 funcionários.
O Nova Vida é o único que atende o bairro e por isso a demanda é grande. De acordo com o diretor Orlando Emílio de Freitas, 37 crianças estão em lista de espera, mas o número pode ser maior, já que muitos pais nem procuram a entidade quando ficam sabendo que não há mais vagas.
Freitas conta que cada criança custa em torno de R$ 300 mensais para a instituição. ''Para conseguirmos honrar com todos os nossos compromissos, precisamos contar com a solidariedade da população, que nos doam alimentos e produtos de higiene.''
De acordo com ele, a merenda enviada pelo município é insuficiente e não conta com todos os ingredientes necessários. ''Recebemos frutas, verduras e legumes encaminhados pelo Programa Mesa Brasil, do Sesc. Uma empresa doa carne de frango, outra doa enlatados e outra carne de porco'', enumera.
Para manutenção e ampliação do prédio, os recursos precisam ser angariados junto a projetos com instituições públicas, como o Fundo da Criança e isso exige habilidade e pontualidade da direção, para não perder prazos e atender a todos os requisitos. ''Agora mesmo estamos ampliando as salas e o recurso veio de um projeto.''


