Contradições e falta de respostas claras e objetivas marcaram os depoimentos dados ontem à tarde para a Comissão Especial de Inquérito (CEI) da Câmara Municipal de Londrina. A CEI investiga irregularidades na compra e distribuição de produtos da merenda escolar.
Segundo a presidente da comissão, a vereadora Elza Correia (PMDB) será necessário requerer documentos à Secretaria Municipal de Educação que especifiquem valores, quantidades, mapas de distribuição da merenda entre outras informações, já que em nenhum dos seis depoimentos de ontem, e dos anteriores, foi possível obter estes dados.
‘‘Ninguém sabe responder a estes questionamentos’’, afirmou a vereadora. Ontem foram ouvidos a diretora administrativa da Secretaria Municipal de Educação, Marúcia Vieira Lima Canezin; o assistente administrativo e encarregado do depósito da merenda, Antônio Wilson Rocha; a responsável pela distribuição de produtos alimentícios às entidades filantrópicos, Silvia Maria Jardine Luiz; o secretário municipal da Administração, José Araídes Fernandes; o diretor de suprimentos desta secretaria, Osvaldo Carnelocce; e o ex-chefe do setor de merenda escolar, Patrocínio dos Santos.
A única confirmação conseguida foi a de que o ex-chefe da merenda escolar foi o responsável pela troca dos 28.800 quilos de feijão que estavam prestes a vencer por óleo. ‘‘Ele assumiu a troca e disse que decidiu fazer sem saber se o procedimento era correto ou não’’, afirmou a vereadora.
A vereadora afirmou que não ficou respondida por exemplo a questão sobre a distribuição de merenda escolar para entidades filantrópicas. ‘‘Por que é a secretaria de Educação que faz isto se existe uma secretaria de Ação Social’’, questionou.
Patrocínio dos Santos disse apenas que quando assumiu o cargo, do qual está afastado durante as investigações, em 1993 havia sobra de alimentos e para que não estragassem decidiu-se distribuir para entidades filantrópicas. A decisão foi tomada pelo grupo que trabalhava no Programa de Merenda Escolar, o mesmo de hoje. São 70 entidades filantrópicas e 38 cadastradas para recebimento da merenda.
Nenhum dos depoentes conseguiu responder como há uma sobra, ou reserva técnica em torno de 6% a 7% na quantidade de alimentos e ao mesmo tempo há reclamações das escolas de falta de merenda.
A CEI também não conseguiu chegar a um entendimento sobre quem é o responsável por conferir se os produtos pedidos são os mesmos recebidos, no que diz respeito à quantidade e qualidade. Antônio Wilson Rocha, assistente administrativo e encarregado do depósito da merenda afirmou que ele faz este trabalho, mas outros 13 funcionários também o fazem em sua ausência.
A falta de estrutura para esta fiscalização foi mais uma vez evidenciada. Sem balança, segundo Antônio Rocha em seu depoimento, a pesagem do produto recebido é feita na base do ‘‘olhômetro’’. ‘‘O que ficou claro é que o Programa da Merenda Escolar é feito de forma totalmente amadora’’, afirmou a vereadora Elza Correia.

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