A Comissão Especial de Inquérito (CEI), que investiga a venda de boxes no camelódromo de Londrina, vai convocar os envolvidos na denúncia contra o vice-presidente da Associação dos Vendedores de Produtos Nacionais e Importados (AVPNI), Rogério Gonçales do Nascimento. Segundo uma ambulante, ele estaria mantendo 12 familiares cuidando de barracas. A Folha flagrou ontem a denunciante sendo pressionada pelos integrantes da entidade.

A dona do boxe número 46, Dolores Palma, gravou uma entrevista (veiculada na TV Tarobá na última quarta-feira) onde criticava Nascimento frente a frente. ''Tenho dois filhos desempregados e não consegui colocar uma banca pra eles, sendo que a família do Rogério tem 12 barracas'', declarou Dolores à televisão. Abatida, ela evitou conversar sobre o assunto ontem. Minutos depois, a reportagem viu o presidente da AVPNI, Manoel Barbosa Freire, pressionando a comerciante. ''Não fiz ameaças. Apenas disse pra ela ter cuidado com acusações feitas sem provas'', comentou Freire.

Também na tarde de ontem, o vice-presidente da AVPNI admitiu diante do vereador Orlando Bonilha (sem partido), um dos integrante da CEI, que os parentes trabalham no camelódromo da Avenida São Paulo (região central de Londrina), mas disse que a situação é legal perante o estatuto da associação. ''Tenho 12 da família aqui, mas todos são independentes. Diferente dos filhos da dona Dolores, que vivem em uma única casa'', argumentou Nascimento.

Depois de ouvir as explicações, Bonilha disse que acusadora e acusado devem depor na Câmara de Vereadores. ''Já ouvimos três pessoas e temos agendadas outras três. Mesmo assim, vamos levar esse caso à comissão'', disse o vereador, destacando que a fiscalização do trabalho e da documentação dos boxes é de responsabilidade da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU). ''Isso tudo poderia ser evitado se a situação do camelódromo fosse acompanhada de perto'', criticou Bonilha. O presidente da CMTU, Wilson Sella, disse ontem que não havia recebido nenhuma informação oficial sobre a denúncia ou qualquer novidade sobre as investigações.

A CEI foi formada depois de uma denúncia feita no mês passado, onde alguns ambulantes estariam cobrando até R$ 8 mil pela posse de uma barraca. Segundo os vereadores Bonilha, Renato Araújo (PPB) e o presidente da comissção Henrique Barros (PDT), os camelôs estariam promovendo ''vendas disfarçadas'', transferindo o ponto para outros interessados. A prefeitura já registrou este ano 33 transferências requisitadas (existem 45 boxes no camelódromo). ''Estamos convocando as pessoas para esclarecer o assunto'', disse Barros, que solicitou à emissora cópia da reportagem para se inteirar das novas denúncias.

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