Lino Ramos
De Londrina
A Comissão Especial de Inquérito (CEI) da Câmara de Londrina deve se reunir no dia 31 (segunda-feira) com o procurador-jurídico da casa, Zulmar Fachin, para discutir as medidas a ser tomadas diante da demora da comissão em conseguir, junto à Prefeitura, os documentos mostrando a forma como foram gastos os R$ 186 milhões resultantes da venda de 45% das ações ordinárias da Sercomtel para a Copel. A CEI foi criada em 17 de novembro do ano passado e até agora não conseguiu atas e outros documentos do Conselho de Gestão Fiscal (Cogefi), criado pela lei municipal 7.352 para gerenciar os recursos obtidos com a venda das ações.
O vice-presidente da CEI, Célio Guergoletto (PMDB), disse ontem que enviou os convites para os cinco membros da comissão para uma reunião na segunda-feira às 14 horas. ‘‘Vamos fazer um balanço do trabalho e das dificuldades enfrentadas’’, adiantou. Segundo ele, a presença do procurador-jurídico será para definir se a comissão tentará obter a documentação pela Justiça, caso a solicitação ainda não tenha sido atendida até o dia 31. ‘‘Essa documentação é primordial para continuarmos nosso trabalho’’, comentou. Segundo o vereador, a Câmara tem feito cobranças diárias e a resposta da Secretaria de Fazenda é que os documentos estão sendo providenciados. O secretário Jair Gravena informou que a ‘‘tratativa de documentos’’ entre Prefeitura e Câmara deve ser feita pelo prefeito e o presidente do Legislativo.
O relator da CEI, Tercílio Turini (PSDB), vai sugerir a convocação do contador da prefeitura, Wagner Vicente Alves, que assina os balancetes junto com o prefeito Antonio Belinati (PFL) e o secretário de Fazenda. Turini notou que no documento referente a dezembro há uma entrada de R$ 34,2 milhões mas também uma saída de R$ 43,2 milhões. ‘‘Não estou querendo dizer que está errado, mas é preciso esclarecer. Pode ser que os documentos do Cogefi tirem essas dúvidas’’. Turini acredita que a Câmara poderá tentar obter a documentação pela Justiça ou mesmo com uma busca e apreensão, pois a comissão teria esse poder.
Ainda segundo Turini, durante depoimento à CEI, o ex-secretário de Fazenda, Ismael Mologni afirmou que parte dos recursos do Cogefi foi usada para cobrir um déficit de R$ 4 milhões mensais. Pela lei municipal, o Cogefi deveria se reunir a cada 15 dias, mas o ex-secretário alegou que durante o tempo em que esteve na Prefeitura não participou de reuniões. Ontem, o prefeito Antonio Belinati afirmou que uma reunião não precisa ser semanal e que às vezes ocorrem de quatro a cinco reuniões por dia em seu gabinete. ‘‘Não importa bem se é preciso ter uma reunião a cada 15 dias. Tem situações que é preciso resolver na hora. Posso garantir que, em se tratando do interesse do município, é possível em alguns dias a gente fazer quatro ou cinco reuniões por dia’’. Sobre o déficit mensal, Belinati lembrou, durante entrevista ontem à tarde em seu gabinete, que o governo do Estado e o próprio governo Federal possuem déficit, apesar do dinheiro das privatizações.

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