O anúncio do reajuste de 20% no repasse de recursos municipais para os Centros de Educação Infantil (CEI) filantrópicos não amenizou a crise enfrentada pelo CEI Padre Boaventura, no Conjunto São Lourenço (Zona Sul), que continuava fechado ontem por causa do atraso do pagamento das férias aos funcionários.
A creche mantida pela Associação Metodista de Assistência Social no Jardim União da Vitória (Zona Sul), que também tinha fechado as portas por falta de pagamento, já voltou a receber as crianças. De acordo com presidente da entidade, José Carlos Fioratte, foram utilizados recursos de doações para colocar as contas em dia.
No caso da creche Padre Boaventura, a diretora Idiceia Pontes Horto afirmou que não há previsão de realizar o pagamento. ''Fizemos um adiantamento de 40% dos salários de fevereiro. Vamos promover eventos para arrecadar o dinheiro necessário e pagar as férias.''
O diretor do Sindicato dos Professores das Escolas Particulares do Norte do Paraná (Sinpro), Diego Mendes de Carvalho, informou que a entidade está estudando procedimentos legais possíveis de serem adotados para resolver a questão. ''As professoras até se prontificaram a assumir a direção do CEI, mas para isso a atual diretora precisa renunciar'', disse.
Sobre o aumento no repasse anunciado pela prefeitura, Diego classificou como ''valoroso'', porém insuficiente para resolver o problema financeiro das filantrópicas. ''Queríamos vincular o reajuste a um aumento no salário dos professores, mas isso não ocorreu. O piso de R$ 506 é vergonhoso'', avaliou.
Fioratte também considerou o reajuste bem-vindo, apesar de não ser suficiente para cobrir os custos. ''Reconhecemos o esforço, mas as dificuldades continuam. O ideal seria R$ 160 a R$ 170 por criança.'' Para cada aluno do berçário (0 a 2 anos), o valor aumentará de R$ 135 para R$ 162. Para as crianças do maternal até o pré, o recurso irá de R$ 90 para R$ 108.

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