CEI das funerárias ouve envolvidos em Campo Mourão
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terça-feira, 15 de maio de 2001
Sid SauerDe Campo Mourão 
O dono da funerária Sesf, de Campo Mourão, Ademir Sobral de Jesus, confirmou ontem à CEI (Comissão Especial de Inquérito) dos Serviços Funerários que alguns serviços são cobrados à parte, o que pode caracterizar sonegação de impostos. Sobral disse que parte do dinheiro de serviços complementares, não inclusos em nota fiscal, serve para gratificação de seus funcionários.
O dinheiro da cruz de madeira e das aplicações nos corpos são para os funcionários, explicou o empresário. Ele admitiu que o dinheiro das flores fica com a funerária. A CEI conseguiu cópias de nove notas de R$ 517,78 que foram acompanhadas por recibos de R$ 299,00 para serviços complementares.
Vou provar que não devo. E se dever, eu pago com o maior prazer, ressaltou Sobral. Ele lembrou que tem autorização da Comissão Municipal de Serviços Funerários para cobrar pelos serviços. O vereador Gustavo Gurgel (PMDB) disse que o empresário deveria dar aumento salarial para seus funcionários em vez das gratificações para não deixar de pagar impostos.
Sobral disse ainda que fez um acordo com a Comissão de Avaliação dos Serviços Funerários, não previsto em contrato, para cobrar da prefeitura 50% dos custos do translado de corpos para Campo Mourão em troca de abrir mão de um reajuste de preços nos caixões. O acordo foi com a Comissão, não sei se o prefeito tem conhecimento, disse.
O empresário afirmou que somente no ano passado teve que doar 54 caixões e criticou o departamento de Ação Social da prefeitura por exagerar no número de pessoas consideradas indigentes. Muita gente boa foi enterrada através de doações, frisou. Ele criticou a atuação do IML local, mas negou que soubesse sobre a cobrança para liberação de corpos.
Hoje às 15 horas está marcado o depoimento do proprietário da outra funerária de Campo Mourão, Antônio Aparecido Saganski.


