O dono da funerária Sesf, de Campo Mourão, Ademir Sobral de Jesus, confirmou ontem à CEI (Comissão Especial de Inquérito) dos Serviços Funerários que alguns serviços são cobrados à parte, o que pode caracterizar sonegação de impostos. Sobral disse que parte do dinheiro de serviços complementares, não inclusos em nota fiscal, serve para gratificação de seus funcionários.
‘‘O dinheiro da cruz de madeira e das aplicações nos corpos são para os funcionários’’, explicou o empresário. Ele admitiu que o dinheiro das flores fica com a funerária. A CEI conseguiu cópias de nove notas de R$ 517,78 que foram acompanhadas por recibos de R$ 299,00 para ‘‘serviços complementares’’.
‘‘Vou provar que não devo. E se dever, eu pago com o maior prazer’’, ressaltou Sobral. Ele lembrou que tem autorização da Comissão Municipal de Serviços Funerários para cobrar pelos serviços. O vereador Gustavo Gurgel (PMDB) disse que o empresário deveria dar aumento salarial para seus funcionários em vez das gratificações para não deixar de pagar impostos.
Sobral disse ainda que fez um acordo com a Comissão de Avaliação dos Serviços Funerários, não previsto em contrato, para cobrar da prefeitura 50% dos custos do translado de corpos para Campo Mourão em troca de abrir mão de um reajuste de preços nos caixões. ‘‘O acordo foi com a Comissão, não sei se o prefeito tem conhecimento’’, disse.
O empresário afirmou que somente no ano passado teve que doar 54 caixões e criticou o departamento de Ação Social da prefeitura por exagerar no número de pessoas consideradas indigentes. ‘‘Muita gente boa foi enterrada através de doações’’, frisou. Ele criticou a atuação do IML local, mas negou que soubesse sobre a cobrança para liberação de corpos.
Hoje às 15 horas está marcado o depoimento do proprietário da outra funerária de Campo Mourão, Antônio Aparecido Saganski.

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