A Autarquia de Serviços Especiais (Acesf) pratica preços 30% acima de mercado pelos produtos e serviços funerários em Londrina. A conclusão é da Comissão Especial de Inquérito (CEI) da Câmara, que investiga denúncias de superfaturamento nos valores cobrados pela Acesf. Para chegar a esse resultado, os vereadores compararam a tabela de preços da autarquia com a de empresas de outras 14 cidades, entre elas Curitiba, Apucarana, Cascavel, Umuarama, Maringá e Foz do Iguaçu.

''Não tenho dúvida que a Acesf tem explorado a população. A diferença de preço é observada desde as despesas com transporte até a preparação dos corpos'', afirmou o vereador Sidney de Souza (PTB), que é o relator da Comissão. Outro item que chamou a atenção da CEI foi o número de funcionários da Acesf. Segundo o vereador, a autarquia tem 84 estatutários e 26 da frente de trabalho. ''Em cidades do mesmo porte que Londrina, esse número não passa de 60'', disse.

Para concluir a investigação, a CEI convidará na próxima semana o contador e a superintendente da Acesf, em dias diferentes. O contador Walmir Maireno Andreatto deverá esclarecer os balancetes oficiais da autarquia referentes a 2000 e 2001. ''O aumento de 40% no valor de produtos e serviços foi apenas um reajuste aplicado com base na variação de índices oficiais acumulados entre maio/98 e fevereiro/2001. Não fiz nada sozinha. O Conselho Fiscal da Acesf e o prefeito concordaram com o acréscimo que objetivava a renovação da frota, a pavimentação dos cemitérios, treinamentos, informatização e adequação à Lei de Responsabilidade Fiscal'', justificou a superintendente Cláudia Prochet.

Segundo Sidney de Souza, os vereadores vão propor ao prefeito Nedson Micheleti (PT) a saída da Acesf da administração de cemitérios, a redução de preços e o remanejamento de servidores para outros setores. Com isso, eles esperam que o funeral e o enterro fiquem mais baratos.

Cláudia Prochet disse que ouvirá todas as sugestões e que continua à disposição da Câmara. Segundo ela, uma das idéias que a Acesf vem analisando é a possibilidade de acabar com os velórios em casa e o cortejo pela cidade. ''Isso reduziria os custos, porém necessitaria de dinheiro para a construção de capelas nos cemitérios onde os corpos seriam velados. O aumento dos preços já visava esse investimento'', argumentou a superintendente, alegando ter passado o ano apenas ''apagando incêndios e resolvendo questões emergenciais''.

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