CEI apura denúncia de fraude
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terça-feira, 20 de maio de 1997
Osmani Costa 
Arquivo FolhaTempo a maisO presidente da CEI, vereador Jaci Aguiar: Denúncia é muito séria e precisa de esclarecimentos O presidente da Comissão Especial de Inquérito (CEI) da Câmara que investiga irregularidades na construção das dez casas de fibrocimento, vereador Jaci Aguiar (PDT), prorrogou ontem, por tempo indeterminado, os trabalhos da CEI e convocou para depoimento na próxima semana o proprietário da Construtora Grande Piso, Roberto Sass. Havia a previsão de que a CEI encerraria suas atividades e apresentaria o relatório final na reunião de ontem, mas isso não foi possível porque surgiram novos fatos.
Um deles foi a denúncia feita em reunião na Câmara pelo advogado da construtora, Marco Antonio Campanelli, de que um documento apresentado pela diretoria da Companhia de Habitação de Londrina (Cohab) conteria fraude na logomarca da construtora Grande Piso Revestimento e assinatura falsificada de Roberto Sass. Esta denúncia é muito séria e necessita de esclarecimentos. Não queremos fazer um pré-julgamento, por isso estamos convocando o construtor para que ele ratifique ou desminta a acusação feita pelo advogado dele, explicou Jaci Aguiar.
O vereador adiantou que, se a denúncia for confirmada, virará caso de polícia, e algumas providências legais terão que ser tomadas tanto pela Câmara Municipal como pela Prefeitura e Cohab. O documento que conteria as fraudes é de 13 de fevereiro deste ano e contém ainda a assinatura do então presidente da Cohab, José Caetano Perri.
O documento sob suspeição afirma que as casas de fibrocimento seriam construídas sem qualquer custo para a Cohab, o que agora é negado pelo advogado da construtora. Perri demitiu-se da Cohab em março, logo que surgiram denúncias contra o projeto-piloto das casas de fribrocimento e a Câmara instituiu a CEI.
A comissão investigava também outros dois detalhes: a possibilidade de doação do terreno da Prefeitura para o projeto e a qualidade dos materiais utilizados na construção das casas. Segundo Jaci Aguiar, a primeira questão foi resolvida e há parecer jurídico demonstrando a legalidade da doação do terreno para a experiência conjunta da Cohab e construtora Grande Piso.
Em relação à qualidade do fibrocimento, os laudos solicitados ao Clube de Engenharia de Londrina e ao Instituto de Pesquisas Tecnológicas de São Paulo não foram conclusivos. Eles dizem que necessitariam de mais experiências, de pelo menos dois anos de uso das casas para se chegar a uma conclusão técnica mais apurada. Mas os estudos necessários ficariam caros, comentou o presidente da CEI. Portanto, a CEI está descartando essa possibilidade. E vamos ter que esperar algum tempo para termos, na prática, a resposta se o material é de boa qualidade ou não.


