O Centro de Visão do Hospital das Clínicas da Universidade Federal do Paraná (UFPR) participou ontem do Dia Nacional de Combate à Cegueira pelo Glaucoma. Médicos e pacientes debateram a importância da prevenção, diagnóstico precoce e do tratamento contínuo. O glaucoma é uma doença crônica provocada pelo aumento da pressão intra-ocular e, embora incurável, pode ser controlada na maioria dos casos com tratamento adequado, evitando a cegueira total. Segundo o IBGE, a doença atinge cerca de 900 mil brasileiros; em todo o mundo, de acordo com a Organização Mundial de Saúde, são 65 milhões de pessoas. A campanha de conscientização foi coordenada pela Sociedade Brasileira de Glaucoma (SBG) e a Associação Brasileira dos Amigos, Familiares e Portadores de Glaucoma (Abrag).
Segundo Lisandro Sakata, oftalmologista do Centro de Visão, fazer exames periódicos é a melhor forma de prevenção. ''Há casos que a falta de acompanhamento agrava o quadro resultando em cegueira'', alerta. Os tratamentos podem ser feitos com colírios, a laser ou com cirurgia, dependendo de cada caso. O governo federal oferece remédios gratuitamente. No Centro de Visão, apenas os casos de cegueira iminente ou aqueles que já perderam a visão de um olho recebem o benefício. ''É estratégia de guerra porque o direito existe, mas a verba é insuficiente para distribuir a todos os pacientes'', desabafa o médico, que não revelou quantos pacientes conseguem a medicação.
''Não há dados oficiais no Estado sobre a doença'', diz Sakata. Mas ele informa que um estudo epidemiológico realizado pelo Departamento de Oftalmologia do Hospital de Clínicas, com 1.636 pacientes de Piraquara, apurou que 3,4% estão doentes e que 90% deles não sabiam do diagnóstico. No Estado há dois centros de referência para tratamento: o Centro de Visão e o Hospital de Olhos, instituição privada conveniada com o SUS.
A contadora Maria Regina Miraski, 46 anos, está em tratamento desde março, quando a doença foi diagnosticada. ''A gente sempre pensa que conosco isso não vai acontecer. Glaucoma não dói, então fui pega de surpresa. Mas como faço exames anualmente, descobri ainda muito no começo e será mais fácil para controlar'', conta. Segundo a SBG, os principais fatores causadores da doença são: histórico familiar; pressão intra-ocular elevada; descendência africana, asiática e hispânica; diabetes; uso de esteróides e outras lesões oculares. A partir dos 40 anos deve-se fazer exames de fundo de olho para medir a pressão ocular.
Nos dias 12 e 13 de junho, acontece o 1º Congresso Brasileiro de Glaucoma de Ângulo Fechado, em Curitiba. Cerca de mil médicos e 52 palestrantes (sendo um estrangeiro), debaterão o tema. O ângulo fechado é o tipo mais grave do glaucoma. O oftalmologista Rogério Torres, presidente do evento, alerta que do total de pacientes no mundo, cerca de 15 mil são atingidos pelo fechado e 45 mil pelo aberto. ''Sem o diagnóstico precoce, perde-se a visão em dois ou três dias porque a pressão chega a 60 e o olho não aguenta por mais tempo'', relata.

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