Cegos usam prédio interditado
Mauro FrassonDeficientes visuais relutam em sair do prédio da Visconde de GuarapuavaO Instituto Paranaense dos Cegos realiza hoje uma assembléia para discutir as possíveis soluções para os problemas estruturais que o prédio do IPC está enfrentando. A construção, na Avenida Visconde de Guarapuava, no Batel, está com 40% da sua área interditada. Segundo o coordenador estadual da Política do Idoso e da Pessoa Portadora de Deficiência, Nelson Guerchon, os cegos não estão respeitando a interdição e continuam utilizando as áreas interditadas. Os cegos sentem-se ameaçados de perderem as instalações, mas Guerchon afirma que eles só deixarão o local se aceitarem mudar-se para outro prédio. O presidente do IPC, Benedito Valentim Teodoro, não quis comentar o problema. Os nossos problemas e as possíveis soluções serão discutidas somente durante a assembléia, declarou.
Deverão participar representantes de órgãos públicos ligados à questão dos deficientes visuais, como Fundação de Ação Social, secretarias estadual e municipal de Educação, Assessoria Especial de Apoio à Pessoa Portadora de Deficiência e Secretaria de Estado da Criança.
Segundo Guerchon, a sede do IPC recebeu uma visita do Ministério Público, que teria constatado problemas em relação às crianças portadoras de dupla deficiência e aos idosos, que necessitam de cuidados especiais. Os cegos acham que crianças, adultos e idosos portadores de deficiência visual devem permanecer juntos no mesmo prédio. Técnicamente, achamos isso inviável, declara Guerchon, informando que as crianças podem não estar recebendo os cuidados necessários, principalmente as portadoras de dupla deficiência.
A mudança de endereço já foi proposta há 3 anos, mas os cegos não aceitam a troca. O IPC recebeu um terreno de 46 mil metros quadrados no bairro Campo Comprido. O prédio atual pertence ao Estado, e está vinculado à Secretaria de Adiministração. Segundo Guerchon, a única maneira de recuperar o prédio seria demoli-lo. Não queremos ferir interesses nem princípios, declara Guerchon, lembrando que o instituto é rico em patrimônios, e tem controle absoluto sobre a administração dos mesmos. Acontece que eles nem sempre sabem utilizar seus recursos da melhor maneira, afirma.(P.G.)





