Cegos preferem emoção do jogo na TV
PUBLICAÇÃO
sábado, 20 de junho de 1998
Israel Reinstein 
Em dia de jogo da Seleção Brasileira, o Instituto Paranaense de Cegos torna-se uma salada de sons. Dos quartos, refeitório, pátio e dos corredores, os quase 80 torcedores acompanham a partida munidos de seus radinhos ou na televisão do refeitório do instituto. O importante é torcer junto com pensamento positivo para a seleção vencer, afirma o diretor social do instituto, Otávio Mota, durante o primeiro tempo do jogo do Brasil contra Marrocos.
Mas para quem não está acostumado como os cegos a acompanhar desta maneira a partida, fica difícil entender como eles se concentram no jogo, afinal diversos sons se cruzam no ar. Cada um prefere um locutor, para imaginar na sua cabeça os lances dos craques na seleção, explica Mota, enquanto ao fundo ouve-se a narração de Galvão Bueno e da rádio Jovem Pan.
É fácil acompanhar o jogo da Seleção. Se você quer sentir emoção, a melhor alternativa são as narrações das tevês, podendo ser do Galvão Bueno ou do Luciano do Valle. Mas se quer saber os detalhes, a solução é seguir o rádio, onde todas as jogadas são descritas, explica Luiz Carlos Moreira, que estava no refeitório ouvindo o jogo pela televisão. Luiz Carlos diz que, para quem é cego, a melhor locução é do Galvão Bueno. Têm alguns locutores que comentam demais e não dão a aquela emoção, que sufoca, complementa a namorada de Luiz, Adriana Cristina Demeda.
Mas eu acho que a melhor forma de ouvir a partida é pelo rádio, diz Inarcir Simão, que estava em sua cama, escutando a Jovem Pan. Pelo o que escuto posso saber se os jogadores estão realizando uma boa partida, comenta. Pela avaliação de Inarcir, a Seleção Brasileira não está emsua melhor forma. O Ronaldinho pode dar muito mais do que vem mostrando. E o Zagallo não está vendo nada, porque deixa o Bebeto no campo, ao invés de dar lugar ao Edmundo, afirma, antes de acontecer a substituição. Gerson Maciel, companheiro de rádio de Inarcir, complementa o comentário do amigo. Não sei o que acontece com a nossa Seleção, porque vem demonstrando pouco de sua qualidade de tetra-campeã, avalia.
Gerson conta que as transmissões dos jogos da seleção tem sido boas. Às vezes, têm narradores que matam uma partida, porque não sabem descrever bem os lances, destaca. Ele diz que no Paraná acontece este tipo de situação. Mas os radialistas estão melhorando.


