Sempre bastante atarefado, o funcionário público Celso Hirashima, 47 anos, quase nunca tem tempo de parar para ''ler'' algo que lhe agrada. Cego, Hirashima tem consultado vários materiais em braile, mas quase sempre, voltado às atividades do trabalho. Leituras de romances e outras obras literárias que ele tanto gosta, acabam sendo cansativas e demoradas quando lidas em braile. Para evitar essa dificuldade, Celso busca uma segunda opção: escuta histórias narradas e gravadas por voluntários que leêm livros inteiros para os cegos atendidos pelo Instituto Londrinense de Instrução e Trabalho para Cegos (ILITC).
''Gosto muito de escutar algum material em casa enquanto estou fazendo outra atividade. Adoro romance, mas como gosto muito de informação nova, estou sempre escutando, principalmente, materiais informativos'', comenta Hirashima.
Gravações de materiais utilizados para alfabetização ou títulos dos mais variados assuntos, são gravados por pessoas comuns, que dedicam algumas horas do seu dia para possibilitar aos cegos ainda mais conhecimento. A coordenadora pedagógica do Instituto, Ivone Gomes da Rocha Galdino, explica que as gravações são ''extremamente importantes'', principalmente para aqueles alunos que ainda não sabem ler em braile e acabam não tendo outra alternativa de aprendizado.
Atualmente, a entidade conta com 133 alunos matriculados, desde crianças até idosos. O ILITC é uma entidade filantrópica sem fins lucrativos que atua em Londrina e região desde 1980. Além dos deficientes visuais, a entidade atende também pessoas que juntamente com a deficiência visual possuem outras deficiências, como mental, física, auditiva ou apresentam sequelas neurológicas.
''Estamos com cerca de seis voluntários frequentando nosso estúdio de gravação. Nossa meta é de que pudéssemos conseguir chegar até 15 voluntários, daí seria um número bom para adequarmos às nossas atividades. Mas, se conseguirmos mais, não tem problema, será ainda melhor pois também temos o trabalho de digitação de livros que depois são transformados em braile'', explica.
Ainda segundo Ivone, o voluntário escolhe o dia e o horário que seja melhor para ele. Não há nenhuma exigência específica para o trabalho, apenas que a pessoa esteja disposta a ler, pausadamente, livros didáticos ou literários que são gravados e editados por um técnico da própria entidade. ''Sempre tivemos voluntários, mas com o tempo alguns foram se perdendo, não tínhamos mais nenhum dado atualizado no cadastro. Então, estamos querendo convocar novas pessoas para que possa haver também mais opções de voluntários, casa falte alguém'', comenta.
A biblioteca do ILITC conta hoje com cerca de 400 títulos gravados. O autônomo Silvio Prado, 47 anos, é voluntário da entidade há cerca de dois anos. Para ele, gravar livros para cegos foi uma atividade que ele encontrou para poder ''contribuir para o bem social''. ''A gente sempre procura ajudar como pode. Quando fiquei sabendo desse trabalho, gostei da idéia. Como eu não tenho habilidade para outro tipo de trabalho voluntário, aceitei vir até aqui e não pretendo parar de gravar, pois sei que estou colaborando com aqueles que não conseguem ler'', diz.
A cozinheira Sueli Ferreira Lara, 49 anos, ficou cega aos 17 anos de idade. Hoje, trabalhando no próprio ILITC, sempre que pode, empresta algumas gravações para escutar. ''Eu não tenho tido muito tempo, mas toda vez que me sobre um tempo eu escuto algum livro. É muito gostoso. Enquanto escuto, vou imaginando a cena na minha cabeça e acabo vivenciando a história como se eu estivesse lá. É muito bom'', comenta.

Serviço - O Instituto Londrinense de Instrução e Trabalho para Cegos, fica na Rua Netuno, 90, Jardim do Sol (Zona Oeste). Mais informações sobre o trabalho voluntário de gravação, por meio do telefone 3327-4921.

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