Cegos irão votar pela primeira vez em 58 anos
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terça-feira, 06 de maio de 1997
Lorena Aubrift Klenk 
Da Sucursal
Marcelo AlmeidaAntônio Luiz de Abreu: educação como pilastra-mestra para os cegosPela primeira vez nos 58 anos de existência do Instituto Paranaense dos Cegos (IPC), deficientes visuais poderão votar e ser votados nas eleições para a diretoria executiva e conselhos da entidade. As eleições, consideradas um marco na história do IPC, estão marcadas para o próximo dia 25 e duas chapas deverão concorrer.
A participação dos deficientes visuais é resultado de uma reforma no estatuto do IPC, feita sob o comando do economista Onair de Serpa Alcântara, nomeado pela Justiça administrador provisório da entidade. Alcântara assumiu o Instituto em setembro do ano passado, depois que a presidente Terezinha Prestes e toda a diretoria renunciaram, pressionadas por um movimento de oposição que durou 175 dias.
Liderado por um grupo de cegos que acusavam a diretoria de má-gestão, o movimento ficou conhecido pela população ao manter uma barraca armada permanentemente em frente ao Instituto, na Avenida Visconde de Guarapuava. Com a renúncia, três representantes do grupo de oposição foram convidados a participar da administração interina.
A reforma dos estatutos foi uma das primeiras medidas tomadas pelo grupo. Agora, os seis cargos da diretoria executiva do IPC são privativos de cegos. Os conselhos deliberativo e fiscal são mistos, entre cegos e não cegos. E os deficientes visuais ganharam direito a voto pela primeira vez. Cerca de 1.000 sócios do IPC poderão votar nas eleições. Desses, 137 são cegos (87 internos e 50 sócios).
Uma das chapas é encabeçada pelo advogado e professor Antônio Luiz de Abreu, 56 anos, casado e pai de dois filhos. Abreu foi um dos líderes do movimento que levou à renúncia da antiga diretoria e diz que pretende fazer da educação a pilastra-mestra do atendimento ao deficiente visual. Ele também quer continuar o saneamento iniciado no IPC na gestão do interventor, durante a qual foram demitidos 30 funcionários e adotados controles de entrada e saída de dinheiro.
Arquivo FolhaProtesto diante do Instituto Paranaense dos Cegos, há um ano: conquista
A outra chapa, ainda não oficializada, deverá ser liderada por José Simão Stczaukoski, 40 anos, casado e com dois filhos. Ex-interno do IPC, José Simão é formado em Pedagogia e hoje coordena a área de intermediação de emprego para portadores de deficiência na agência paranaense do Sistema Nacional de Emprego (Sine). O candidato a vice na mesma chapa é Luís César Trevisan. A principal proposta deles é investir na reciclagem e formação profissional dos deficientes visuais, inclusive através de intercâmbio com instituições de outros países.


