Cegos irão à Justiça exigir livros
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sexta-feira, 26 de maio de 2000
Paulo Pegoraro De Cascavel 
A Associação Cascavelense de Deficientes Visuais (Acadevi) e a União Paranaense de Cegos (UPC) estão exigindo que o governo federal envie às escolas livros em braile. De acordo com as entidades, nenhum estudante paranaense recebeu livros adaptados, que deveriam ser adquiridos e distribuídos pelo Ministério da Educação como determina a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB). Por isso, deverá ser formalizada nos próximos dias representação ao Ministério Público estadual e federal para que a lei seja cumprida.
No Paraná, há aproximadamente 4 mil deficientes visuais matriculados na rede estadual de ensino, segundo Alfredo Carvalho, 40 anos, cego desde criança, diretor de Formação da Acadevi e estudante do 4º ano do curso de pedagogia. Ele observa que a LDB não trata especificamente da questão de livros em braile (escrita que permite leitura pelo tato), mas livros de forma geral.
O dirigente da Acadevi argumenta que a legislação também assegura aos deficientes visuais frequência em escolas regulares para que não haja discriminação. Uma das condições para isso são os livros didáticos, diz Carvalho. O que está na lei não corresponde à prática, pois ao que se sabe, nenhuma escola do País recebeu livros em braile.
O governo do Paraná montou emergencialmente pequenos centros de produção destes livros, mas segundo Carvalho, não atendem 1% da demanda. O de Cascavel vive mais com defeito que imprimindo, frisa.


