A Associação Cascavelense de Deficientes Visuais (Acadevi) e a União Paranaense de Cegos (UPC) estão exigindo que o governo federal envie às escolas livros em braile. De acordo com as entidades, nenhum estudante paranaense recebeu livros adaptados, que deveriam ser adquiridos e distribuídos pelo Ministério da Educação como determina a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB). Por isso, deverá ser formalizada nos próximos dias representação ao Ministério Público estadual e federal para que a lei seja cumprida.
No Paraná, há aproximadamente 4 mil deficientes visuais matriculados na rede estadual de ensino, segundo Alfredo Carvalho, 40 anos, cego desde criança, diretor de Formação da Acadevi e estudante do 4º ano do curso de pedagogia. Ele observa que a LDB não trata especificamente da questão de livros em braile (escrita que permite leitura pelo tato), mas livros de forma geral.
O dirigente da Acadevi argumenta que a legislação também assegura aos deficientes visuais frequência em escolas regulares para que não haja discriminação. ‘‘Uma das condições para isso são os livros didáticos’’, diz Carvalho. ‘‘O que está na lei não corresponde à prática, pois ao que se sabe, nenhuma escola do País recebeu livros em braile’’.
O governo do Paraná montou emergencialmente pequenos centros de produção destes livros, mas segundo Carvalho, não atendem 1% da demanda. ‘‘O de Cascavel vive mais com defeito que imprimindo’’, frisa.

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