Um grupo de 10 alunos do Instituto Londrinense de Instrução e Trabalho para Cegos (Ilitc) esteve ontem na Secretaria da Cultura de Londrina, com cartazes e apitos, para pedir apoio à administração municipal. O motivo é a reprovação do projeto ''A Expressão Fotográfica e os Cegos'' pela comissão de avaliação do Programa Municipal de Incentivo à Cultura (Promic). Em anexo ao manifesto, foi entregue uma carta de apoio do fotógrafo franco-esloveno Evgen Bavcar, que esteve em Londrina e conheceu o trabalho.
Elaborado e proposto pela fotógrafa e artista visual Fernanda Magalhães, o projeto prevê a continuidade do trabalho desenvolvido com os alunos em 2002, que resultou na produção de 1500 imagens e na exposição ''Vistas Táteis''.
De acordo com o parecer da comissão, o projeto apresenta problemas na composição orçamentária (cachês), tornando sua relação custo/benefício inadequada. Os cachês referidos são de concepção e coordenação artística (Fernanda Magalhães), de coordenação e produção de registros (Karen Debértolis), no valor de R$ 13 mil cada, e de divulgação e difusão do projeto, de R$ 5 mil.
O orçamento total deste ano é de R$ 85.110,00. Em 2002, o orçamento era de R$ 24.896,00, dos quais R$ 10.700,00 foram aprovados para captação. O projeto obteve mais R$ 15 mil da Secretaria da Cultura, além de outros apoios. Segundo Fernanda, a proposta atual é mais abrangente e envolve outras atividades. ''O projeto é grande, tem mais custos, demanda muito trabalho. Acho que cerca de R$ 1 mil por mês para os cachês é correto''.
O secretário Bernardo Pellegrini estava em reunião e o grupo foi atendido pelo coordenador da Incubadora de Projetos Culturais, Valdir Grandini. ''Independente da importância do projeto, o aumento no custo em relação ao ano passado é alto demais; é uma elevação que não se justifica principalmente pelos altos cachês'', disse. O grupo agendou uma reunião com Pellegrini para o dia 7 de março. ''Vamos conversar e refazer o orçamento para levá-lo ao secretário. Quem sabe ele não nos dá uma luz para procurar outros apoios'', diz o aluno Hélio Vieira.