O acesso e permanência de cegos na universidade é uma das questões, na área educacional, que mais motivam debates entre entidades de portadores de cegueira. No último final da semana, cegos e portadores de deficiência visual de todo o Estado estiveram reunidos em Cascavel, no I Encontro de Cegos do Ensino Superior. Eles concluíram que as maiores dificuldades enfrentadas em todo o País estão relacionadas à falta de materiais adaptados e, no aspecto social, à discriminação que sofrem.
O encontro foi organizado pelo Programa Institucional de Ações Relativas às Pessoas Portadoras com Necessidades Especiais da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), entidades de cegos (a local Acadevi e a estadual UPC), prefeituras e núcleo regional de Educação.
Segundo a professora Lúcia Tureck, que coordena o Programa Institucional e preside o Conselho Estadual da Assistência Social, não há levantamento oficial sobre o número de cegos ou com a chamada visão subnormal que frequentam o terceiro grau. Estima-se que sejam aproximadamente 30. Em Cascavel, são 10: um cursa ciência da computação, um educação física, dois direito e seis pedagogia.
Luzia Alves, 23 anos, cega de nascença, está no segundo ano de pedagogia. Ela trabalha na Central de Confecção de Material em Braile (do Estado) e sonha ser professora. O presidente da UPC, Ênio Rodrigues da Rosa, 40 anos, cego há 8 anos, também cursa o segundo ano de pedagogia. Ele diz que os problemas para o acesso ao terceiro grau começam no ensino fundamental, ‘‘despreparado para atender aos cegos e deficientes’’, o que implica em menos chances no vestibular. A discriminação faz com que muitas crianças sequer ingressem ou completem a etapa fundamental.
Ênio lembra que no Seminário para Inclusão Social, realizado em junho em Cascavel, a maior parte das propostas aprovadas refere-se à educação, entre elas a necessidade de oferta de recursos didáticos para que cegos e portadores de deficiências possam ingressar e permanecer na escola.
A professora Lúcia Tureck relata que, de modo geral, os cegos conseguem ‘‘condição de igualdade’’ com as pessoas de visão normal, se lhes forem oferecidas condições adequadas para estudar, como material digitalizado para computador, método braile e textos com cópias ampliadas.

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