Cegos denunciam ''exclusão'' na escola
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sexta-feira, 16 de junho de 2000
Paulo Pegoraro De Cascavel 
A União Paranaense de Cegos (UPC) e a Associação Cascavelense dos Deficientes Visuais (Acadevi) discutirão o processo de exclusão no 1º Seminário para Inclusão da Pessoa com Deficiência, que será realizado segunda-feira em Cascavel. O seminário é uma iniciativa da Secretaria Municipal de Ação Social e será realizado no auditório da prefeitura.
Na abertura, às 8h30, será marcada pela apresentação do projeto de criação de uma coordenadoria municipal que atuará sobre o tema do evento. Depois, haverá a primeira palestra com Esmaelita de Lima, coordenadora nacional do programa de Integração da Pessoa Portadora de Deficiência. No final da tarde, será elaborada uma proposta de atuação para a coordenadoria local.
Durante esta semana, as entidades protocolaram denúncia no Ministério Público (MP) estadual, contra o que apontam como abandono na oferta de educação. Uma cópia da denúncia foi entregue à Comissão de Educação da Assembléia Legislativa e foi pedido ao Conselho Estadual de Educação (CEE) que indique de quem é a responsabilidade pela oferta de educação e estruturação dos Centros de Atendimento Especializado para Deficientes Visuais (Caedevs).
A questão já havia motivado denúncia da Acadevi à Procuradoria da República. O presidente da UPC, Ênio Rodrigues da Rosa, 41 anos, cego há 26 anos, diz que os centros existentes no Estado não oferecem materiais adequados para o processo ensino-aprendizagem.
O presidente da UPC, que é de Cascavel, afirma que faltam livros em braile para os cegos e com caracteres ampliados para deficientes visuais. Além disso, queixa-se que há poucas impressoras de livros. As existentes vivem com defeito ou imprimem pequena quantidade, justifica. Também faltam bengalas, sorobãs e até caderno, caneta e lápis.
Segundo Ênio Rosa, nos centros não são oferecidos programas garantidos por lei, como Atividades da Vida Diária, Orientação e Mobilidade, Iniciação ao Trabalho, Datilografia, Informática e Orientação à Família. Muitos centros estão em salas escuras ou cantos diminutos de escolas, como se fossem um corpo estranho, denuncia. O processo de exclusão não é apenas de cegos, mas de qualquer pessoa com deficiência, embora haja o discurso oficial e a farta legislação para a inclusão, argumenta.
Estimativa da Organização Mundial da Saúde indica entre 0,4% e 0,6% da população como portadora de deficiência visual. No Paraná, são 36 mil cegos ou portadores de deficências, mas somente 2,7 mil estão matriculados em escolas. Em Cascavel tem havido desistência de cegos matriculados antes mesmo da conclusão do ensino fundamental pela falta de material adaptado e o abandono a que está submetida a educação dos cegos.


