Cegos comemoram a Semana do Deficiente
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segunda-feira, 22 de agosto de 2005
Betânia Rodrigues<br>Reportagem Local 
Aumento da percepção auditiva, interação social e elevação da auto-estima são as principais vantagens que o deficiente visual encontra na música. Essa mudança de comportamento foi comprovada, ontem, pelos parentes, amigos e funcionários do Instituto Londrinense de Instrução e Trabalho para Cegos, que assistiram uma apresentação musical de 20 alunos. O evento é uma das atividades programadas para comemorar a Semana Nacional do Deficiente que incluirá espetáculo teatral, show de talentos, festival de natação e passeios até sexta-feira.
De acordo com a professora de música Cristina Tonin, os alunos começam pela familiarização com os sons e timbres, paisagismo sonoro, experimentação dos instrumentos e imitação de animais. ''É um processo de desenvolvimento contínuo que apresenta os primeiros resultados em pouco tempo'', afirma a musicista.
Para Tatiane Quadros, 19 anos, deficiente visual congênita (desde o nascimento), o exercício da arte diminui a insegurança e proporciona o reconhecimento dos portadores de deficiência. Além da oficina de música, ela participa por exemplo do reforço escolar, atividades físicas, aulas de comunicação e teatro. ''Pretendo prestar vestibular para Artes Cênicas ou Música, ainda este ano, na UEL. Imagino que não será fácil, mas vou tentar. Para chegar onde estou é preciso muito força de vontade, fé em Deus, apoio da família e de profissionais'', disse a jovem, que integra o elenco das peças Cidade e os Olhos e A Fila.
A colega Tatiane Cruz Malassise perdeu parte da visão aos 13 anos devido à esclerose múltipla. Aos 22 anos, ela considera-se uma garota bem resolvida com 5% da visão no olho esquerdo e apenas 1% no direito. Classificada como uma deficiente sub-normal, ela auxilia a equipe do Instituto e até leciona espanhol. Uma lupa de aumento facilita o estudo e outras tarefas do dia-a-dia. ''Mesmo assim ainda sinto alguma dificuldade por exemplo quando entro num elevador não adaptado ao braile. Preciso da ajuda de alguém para apertar o botão correto'', cita Tatiane.
Em setembro, o Instituto completará 26 anos de atendimento gratuito a deficientes visuais totais, parciais e multi-deficientes (aliada a outra deficiência física ou mental). Atualmente, ele mantem 133 alunos, dos quais cerca de 30% são crianças. Na opinião de Shirlei Mara Sambatti, deficiente visual congênita, professora e coordenadora de projetos específicos do Instituto, as maiores dificuldades para o cego hoje em dia estão na locomoção (ruas e calçadas esburacadas, entulhos, orelhões, carros estacionados em calçadas, etc) e na empregabilidade. ''Apesar da lei reservar mercado para os deficientes, a inclusão e a adaptação ainda é muito difícil, principalmente na iniciativa privada'', explica.
Serviço - Dúvidas sobre o assunto, sugestões, doações, inscrições e apoio voluntário podem ser comunicados pelo telefone: (43) 3327-43340 ou na rua Netuno, 90, Jardim do Sol. Mais informações também podem ser obtidas na internet pelo site: www.ilitc.org.br


