Paulo Pegoraro
De Cascavel
Ivan José de Pádoa, 19 anos, viaja de ônibus diariamente 100 quilômetros entre Lindoeste, onde mora, e Cascavel para frequentar curso técnico pós-médio de informática. Ele é o único cego entre alunos deste curso na região, teoricamente de difícil acompanhamento para quem não enxerga. Contrariando a teoria, Ivan Pádoa já conserta computadores, pede uma ‘‘oportunidade’’ para trabalhar e prepara-se para ser o primeiro vestibulando de informática na Universidade Estadual do Oeste do Paraná. Ele quer ser professor na especialidade.
Ivan de Pádoa nasceu com problemas de visão, e ficou completamente cego aos 8 anos. Ele diz que se resignou. ‘‘Mas não me acomodei’’. Apoiado na bengala, circula por qualquer lugar sem muita dificuldade. Ele frequentou escola com aulas em braile, integrou-se com outras pessoas na mesma situação e é hoje vice-presidente da Associação Cascavelense dos Deficientes Visuais e tesoureiro da União Paranaense de Cegos, que buscam a plena inserção de seus membros na sociedade, inclusive estimulando-os à qualificação para acesso ao mercado de trabalho.
Quando encerrar o curso no Colégio Auxiliadora, numa turma de 22 alunos, Ivan quer começar a trabalhar como programador. Para ele, empregadores ‘‘dão preferência a pessoa que tenha a visão, se tiverem que optar entre ela e um cego com o mesmo preparo, mas se este for melhor capacitado, pode conquistar o espaço’’. Para frequentar as aulas, ele adquiriu o programa ‘‘Dos-vox’’, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (RJ). O programa emite sons de tudo o que é digitado no computador. Ivan desenvolveu habilidade de tal forma que também consegue digitar em computadores comuns.
Para consertar defeitos internos no equipamento, ele se orienta pelos sons (‘‘bips’’) emitidos pelo programa, necessitando apenas de um auxiliar para que leia e lhe transmita mensagens na tela e identifique a cor de fios que tenham problemas. Ivan de Pádoa concorda com a posição de entidades que reúnem portadores de deficiências sobre a dificuldade de inclusão no mercado de trabalho. ‘‘Mas nós próprios também temos que fazer a nossa parte no processo.’’

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