Edson MazzettoIvã no Calçadão de Cascavel, com sua bengala e o violão; CD custa R$ 10 milO portador de cegueira irreversível Ivã José de Pádua, 18 anos, de Lindoeste (50 quilômetros ao sul de Cascavel), busca apoio para gravar um CD, cuja faixa-título é ‘‘Transplante’’. Ivã quer estimular a doação de órgãos, embora ele próprio não possa ser beneficiado por sofrer de glaucoma congênita.
Ivã, que participa ativamente de encontros da Associação Cascavelense de Deficientes Visuais, defende a lei federal que exige que os não-doadores façam carteira de identidade na qual conste esta negativa.
O jovem ficou cego aos 8 anos, em decorrência do glaucoma, doença resultante do aumento da tensão intra-ocular que provoca endurecimento do olho. Ele ganhou um violão aos 6 anos, quando ainda enxergava um pouco, e mais tarde frequentou conservatório musical. Aluno do 3º ano do 2º grau, Ivã quer cursar belas artes e utiliza o método braile para estudar e compor.
Ele já venceu festivais regionais e agora pensa em gravar o CD ‘‘Transplante’’, e fortaleceu a intenção depois da vigência da nova lei sobre doação de órgãos. Ela já procurou a Secretaria de Cultura do Estado para pedir apoio, pois o custo da gravação é superior a R$ 10 mil.
Como não houve resposta, ele procurou durante a semana um deputado federal, na expectativa de um contato com o Ministério da Saúde (e também o da Cultura). O CD que Ivã quer gravar deverá ter músicas sertanejas. A letra de ‘‘Transplante’’ é de autoria de José Pitondo, ex-vice-prefeito de Lindoeste.
A letra conta a estória de um jovem que dizia querer doar os órgãos e morreu em acidente de carro, quando viajava com a família. A mãe teve os olhos feridos e nela foram transplantadas as córneas extraídas do filho. ‘‘Ele deu nova vida a quem, lhe deu a vida’’, comenta Ivã, para quem a letra ‘‘pode até parecer um pouco apelativa mas é assim mesmo que se estimulam as doações’’.

mockup