Alguns moradores e o advogado do condomínio Residencial Jamaica, no jardim Bandeirantes (zona oeste), afirmam que a Caixa Econômica Federal (CEF) vem exercendo pressão para destituir a síndica Lurdes Benedita de Freitas e cometendo irregularidades na negociação da dívida dos mutuários. A síndica e outras dezenas de moradores estão com ação na Justiça alegando irregularidades na obra, entre elas superfaturamento. A CEF nega pressão.
O residencial Jamaica é formado por 198 apartamentos de dois e três quartos e o financiamento foi feito pela Caixa. Segundo o advogado Louriberto Gonçalves, 45 moradores ingressaram, há mais de dois anos, com ações que tramitam na Justiça Federal. Uma das principais queixas é com a prestação, que eles consideravam muito alta - no início deste ano girava em torno de R$ 800,00.
O advogado afirma que, na semana passada, dois diretores da CEF estiveram no apartamento da síndica, afirmando que irão destituí-la do cargo. Lurdes de Freitas, que é síndica desde 1995, confirma a pressão e diz que a maioria dos moradores está satisfeita com o serviço que vem desenvolvendo. Ela diz ainda que a CEF está realizando reuniões paralelas com alguns moradores sem a sua autorização.
Louriberto Gonçalves acusa ainda a CEF de chamar os moradores para fazer um acordo e não cumprir o prometido - pagamento de prestações de R$ 200,00 para apartamentos com dois quartos e R$ 230,00 para três quartos. Ele cita como exemplo o caso da moradora Iranilde Gonçalves, que tentou o acordo e foi informada que a sua prestação teria de ser de R$ 380,00. O advogado afirma ainda que outro morador fechou acordo com a CEF e, logo em seguida, teve seu imóvel executado.
O superintendente de negócios da CEF, Claudemir Desto, nega a pressão. Ele explica que a Caixa é proprietária de 53 imóveis do residencial. ‘‘Como somos donos destes imóveis, queremos que o condomínio seja administrado com o máximo de transparência possível’’, afirma. Ele diz que a Caixa não tem interesse em destituir ninguém do cargo para colocar outra pessoa no lugar.
Claudemir Desto confirma os valores das prestações que estão sendo negociadas e diz que o acordo é importante para regularizar a situação e evitar a execução dos imóveis. Ele desconhece o caso de Iranilde Gonçalves e afirma que o outro morador, que teve o imóvel executado, não chegou a assinar o acordo. ‘‘Pararíamos a execução se o acordo fosse assinado.’’

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