Valmir Denardin
De Foz do Iguaçu
Os 80 empresários da unidade da Central de Abastecimento do Estado (Ceasa) em Foz do Iguaçu estão tentando impedir a venda de legumes, verduras e frutas no atacado da Vila Portes, bairro junto à Ponte da Amizade (que liga o Brasil ao Paraguai). Localizado a 400 metros da ponte e com 28 empresas, o núcleo atacadista de alimentos perecíveis da Vila Portes atende comerciantes de Ciudad del Este e outras cidades paraguaias na região de fronteira.
Segundo a Arufi (entidade que reúne os atacadistas da Ceasa), os ‘‘independentes’’ descumprem leis municipais e atuam numa região sem estrutura para descarga, armazenagem e venda dos produtos. ‘‘Muitos chegam a vender no meio da rua’’, afirma Alcindo Milhorança Júnior, presidente da Arufi.
Ele diz que os concorrentes vendem no atacado, quando o alvará que possuem só permitiria a venda no varejo. Afirma também que já existem duas leis – uma estadual e outra federal – proibindo a venda de hortifrutigranjeiros no atacado fora da Ceasa em cidades que possuem essa estrutura.
A reportagem da Folha constatou pelo menos duas irregularidades na área atacadista da Vila Portes. Os empresários da região costumam expor e manusear os produtos nas calçadas, contrariando uma lei municipal que proíbe essa prática. A multa varia de 30 a 300 Ufirs (atualmente de R$ 30,00 a R$ 300,00).
Outra irregularidade constatada foi a armazenagem dos produtos em local impróprio. A Folha flagrou o descarregamento de sete caminhões de mercadorias em um depósito ao lado de um posto de combustíveis desativado.
Os 28 atacadistas não possuem uma entidade representativa própria. Eliane Cristina Lamb, sócia-proprietária da Somenzari e Lamb Ltda., diz que todas as empresas que atuam no bairro estão legalizadas e pagam impostos.
‘‘Estamos ganhando clientela porque estamos mais perto do Paraguai e atendemos melhor’’, afirmou Eliane, mostrando notas da empresa, instalada no bairro há quatro anos. O grupo não revela o movimento mensal do núcleo. Estimativas apontam que esse valor gira em torno de R$ 1,5 milhão – a metade do que movimenta a Ceasa.
Instalada em Foz do Iguaçu há 21 anos, a estatal Ceasa possui na cidade sua terceira maior unidade no Estado – atrás apenas das de Curitiba e Londrina. Por mês, são vendidas no local até 12 mil toneladas de produtos. Seus principais clientes são supermercados, mercearias e restaurantes de Foz do Iguaçu e de outras cidades do Extremo-Oeste.

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