Josoé de CarvalhoCéticoOrides no Mercadão: ‘Só euforia’A reativação da Central de Abastecimento (Ceasa) em Londrina, na semana passada, fez que 60% dos produtores do condomínio do Mercadão de Londrina, no Jardim Ideal (zona leste), migrassem para lá. O síndico do condomínio, Orides Fernandes, calcula que dos 5 mil empregos diretos e indiretos gerados no Mercadão, 4 mil foram ‘‘perdidos’’ com a transferência. Segundo ele, dos 56 boxes, sobraram apenas 25 ocupados. Alguns produtores afirmam que a venda de hortifrutigranjeiros caiu 80%.
‘‘Mas é só euforia. Onde tem barulho os produtores vão, mas eles voltarão logo’’, acredita Fernandes. Ele já admite, porém, reduzir custos e promete criar uma associação para ‘‘quando eles voltarem’’. ‘‘O pessoal não vai precisar pagar nada pela pedra (ponto para descarregar a mercadoria) porque já pagou nesse período. O preço da entrada também pode baixar’’, promete o síndico.
Mas os produtores que se transferiram para a Ceasa não pensam em retornar para o jardim Ideal. ‘‘Aqui está 200% melhor. Tem espaço, sossego e esperança de vendas melhores’’, afirma Haruo Kariya. Ele também credita ao menor custo sua transferência para a Ceasa. ‘‘Lá no Mercadão estava muito caro.’’
Preço mais baixo também foi o motivo da transferência de Gilmar Alves da Silva. Ele conta que nos cinco anos em que trabalhou no Mercadão era obrigado a pagar R$ 500,00 a cada seis meses pela ‘pedra’. ‘‘Aqui o ponto varia de R$ 300 a R$ 800, mas você pode ficar nele por doze anos’’, diz Gilmar.
Josoé de CarvalhoVazioMercadão do Povo, no Jardim Ideal: venda de hortis caiu 80%
Além disso, na Ceasa o produtor paga a metade (R$ 2,00) do valor cobrado no Mercadão para descarregar a mercadoria. ‘‘Por enquanto ainda não deu para baixar o preço dos produtos por causa das chuvas, mas logo logo a tendência é de redução’’, diz Silva. Ele diz que o lucro será do consumidor, que poderá encontrar hortifrutigranjeiros a preços mais acessíveis.
A transferência dos produtores do Ideal causou reações na Associação de Moradores do bairro. O presidente da entidade, Moisés dos Santos, pediu ajuda ontem da Câmara de Vereadores para tentar descobrir se a Prefeitura de Londrina deu incentivos à Ceasa e aos produtores. ‘‘A Associação Norte Paranaense dos Horticultores está divulgando um monte de incentivos e beneficíos. Se o produtor não está pagando e o dono de box também não, então alguém está e nós desconfiamos que é o poder público’’, diz Moisés. Na Câmara, ele formalizou a entrega de um pedido de informações à prefeitura.
O presidente da Associação de Moradores diz que sua principal preocupação é com o ‘‘caos social’’. ‘‘O Mercadão era a vida do Ideal. Agora ele está morto’’, sentencia. Ele teme o fechamento do Mercadão e o fim dos 5 mil empregos diretos e indiretos gerados com o seu funcionamento.
Santos também está preocupado com a possibilidade de desativação do projeto desenvolvido em parceria entre a associação e os produtores do Mercadão. Trata-se de uma cozinha comunitária que já distribuiu, segundo ele, 6 mil litros de sopa a pessoas carentes. O alimento é produzido com hortifrutigranjeiros doados pelos produtores. ‘‘Sem eles, como vamos tocar o projeto?’’

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