Ceal promete avaliar obras de duplicação da PR-445
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quinta-feira, 30 de julho de 2015
Vítor Ogawa<br>Reportagem Local
O Clube de Engenharia e Arquitetura de Londrina (Ceal) criou um grupo técnico para avaliar os laudos referentes à construção de viadutos incluídos na obra de duplicação da PR-445, entre Londrina e Cambé. Do Conjunto Jamile Dequech (zona sul) até o Jardim Ana Rosa (Cambé) existem 15 viadutos, dos quais seis viadutos estão sendo construídos ou reformados. Dois deles (no Jardim Novo Bandeirantes, em Cambé, e no cruzamento com a Avenida Dez de Dezembro, na zona sul de Londrina) apresentam problemas.
Na tarde de quarta-feira, o viaduto do Jardim Novo Bandeirantes, em Cambé, foi palco de um grave acidente. Uma motorista de 23 anos perdeu o controle do Hyundai i30 e bateu contra uma proteção metálica, pois a pista de rolamento apresentou deformações. Desde que foi inaugurado, no início de dezembro do ano passado, esse viaduto já recebeu a aplicação de massa asfáltica para corrigir esse desnível na pista de rolagem em três oportunidades. Mas o problema voltou a ser registrado nos últimos dias. Os responsáveis pelas obras neste trecho são o Departamento de Estradas de Rodagem do Paraná (DER-PR), Polícia Rodoviária Estadual (PRE) e a Construtora Triunfo.
O encarregado administrativo Sidnei Edson da Silva, de 41 anos, trabalha nas imediações e afirma que aplicações de massa asfáltica não resolvem o problema. "Aqui passam muitos caminhões pesados e, se a estrutura não for reforçada, o asfalto continuará cedendo", reclamou. Ele apontou a possibilidade de um veículo romper a barreira metálica de proteção e cair sobre a marginal, colocando em risco os veículos e pedestres que circulam por lá.
Ontem o DER realizou mais uma tentativa de eliminação do desnível no asfalto do viaduto recém-construído do Jardim Novo Bandeirantes (Cambé). O fluxo no trecho foi desviado para as marginais para que operários pudessem reaplicar massa asfáltica.
Até a realização de mais esse conserto, o trecho da pista apresentava várias marcas de freadas bruscas de veículos que perceberam o desnível tardiamente. Outro usuário da rodovia é o militar da reserva Cláudio Fernandes, de 49 anos, que criticou a falta de iluminação do trecho. Ele indicou que a escuridão dificulta ainda mais a visualização de qualquer imperfeição da pista. "Se for um veículo grande, o acidente pode ser até mais grave do que o ocorrido na quarta-feira", advertiu.
DEZ DE DEZEMBRO
Já o viaduto da Avenida Dez de Dezembro permanece com fendas e rachaduras que preocupam pessoas como a doméstica Solange Nunes, de 40 anos, que passa diariamente pelo cruzamento entre a PR-445 e a Avenida Dez de Dezembro. Ela conta que já viu várias tentativas de preenchimento das fendas e rachaduras com concreto ou com uma espécie de massa plástica, mas até agora nenhuma delas foi eficaz. "Remendar não está adiantando nada e está sendo um desperdício de dinheiro. Só sei que a cada dia que passo por lá as rachaduras aumentam", resumiu.
Sobre as fendas do viaduto da Avenida Dez de Dezembro, o superintendente do Departamento de Estradas de Rodagem (DER) em Londrina, José Ferreira Heidegger, declarou que uma empresa contratada já está cuidando desses problemas. "Recentemente fizemos uma vistoria e vamos liquidar este assunto em agosto. Ali é necessária a aplicação de um concreto para solucionar o problema", garantiu.
O coordenador da Câmara de Políticas Públicas do Ceal, Jorge Borges, no entanto, destacou que ainda assim vai solicitar laudos sobre as obras. "Vamos solicitar laudos e pareceres a respeito das obras. Faremos uma análise sobre a conclusão desses laudos e, a partir disso, proferiremos um informativo recomendatório do Ceal e da Câmara de Políticas Públicas para a sociedade civil organizada e para a interface dos governantes", explicou.
Segundo Borges, a recomendação será para apresentar um caminho às partes envolvidas de uma solução para o problema, que perdura há mais de 12 meses. O Ceal vai conceder um prazo de 30 dias para a apresentação da documentação. "Pode ser que eles levem mais tempo ou mesmo podem se eximir de apresentar qualquer documento", afirmou. Após receber esses laudos, o grupo pode apresentar essa recomendação em até 90 dias. Ele ressaltou que qualquer conclusão feita só com a análise visual é fruto de especulação. "Não podemos externar nenhuma conclusão sem estudar todos os flancos e todos os laudos estruturais e sobre mecânica de solos", apontou.
Heidegger afirmou que irá aguardar o pedido do grupo do Ceal para poder se manifestar. "Até agora não recebi nada deles", afirmou.
Outros trechos de marginais com o asfalto comprometido ficam próximos ao Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), Corpo de Bombeiros e Terminal Acapulco, onde o asfalto está deteriorado, com deformações conhecidas como borrachudos. O motorista Marcos Alves ressaltou que o tráfego pesado desviado para as marginais tem contribuído para que a pista estrague rapidamente. "Isso só vai melhorar quando entregarem as obras de duplicação", declarou.
Heidegger informou que o local receberá recape quando as obras de duplicação terminarem. Ele garantiu, porém, que o serviço de tapa-buracos é "eficiente". "Percorri o trecho e não encontrei buracos", declarou.
Outros viadutos que estão em obras são os das avenidas Harry Prochet (zona sul), Waldemar Spranger (zona sul), Madre Leônia Milito (zona sul) e Aniceto Espiga (zona oeste).