Ceal entrega lista de especialistas para avaliação de obra da PR-445
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terça-feira, 01 de março de 2016
Vítor Ogawa e Samara Rosenberger<br>Reportagem Local 
O Clube de Engenharia e Arquitetura de Londrina (Ceal) entregou ontem ao Ministério Público os últimos nomes para compor uma lista de cinco especialistas de fora do Estado para avaliar a obra do viaduto da PR-445 com a Avenida Dez de Dezembro. A comissão do Ceal designada para avaliar as obras já havia reprovado os dados fornecidos pelo Departamento de Estradas de Rodagem (DER) na segunda-feira porque o memorial de cálculo teria deficiências de sondagem e erros nos cálculos. Geralmente anexado ao projeto, o memorial detalha todos os cálculos feitos até a conclusão do viaduto.
O professor Carlos José da Costa Branco, da Universidade Estadual de Londrina (UEL), é um dos membros da comissão do Ceal que analisou as obras e o memorial de cálculo do viaduto. Segundo ele, as sondagens realizadas não são "muito confiáveis". "Existem alguns erros conceituais e matemáticos. Não foi levado em consideração o tráfego de veículos e o peso que ele vai gerar. Sem liberar o tráfego já houve uma deformação fora do normal, de 35 centímetros, e não vemos condições de avalizar que a obra esteja estável. Por este motivo nós recomendamos que seja feita a paralisação das obras e que seja contratado um especialista de fora", destacou Costa Branco.
Desde 2013 o viaduto vem apresentando rachaduras e outras patologias. O promotor de Defesa de Saúde Pública, do Trabalhador e da Habitação e Urbanismo, Paulo Tavares, recebeu o parecer do Ceal e recomendaria ao Judiciário a manutenção da paralisação. Por meio de sua assessoria, ele declarou que não se manifestaria sobre o parecer e relegaria essa tarefa aos engenheiros do Ceal.
As obras estão paralisadas desde o dia 9 de fevereiro, quando o juiz Osvaldo Taque atendeu o pedido de providências encaminhado por Tavares. Segundo Vitor Faustino Pereira, membro do Ceal, não restam dúvidas de que houve mudanças da técnica construtiva utilizada no muro de contenção ante ao projeto inicial. "Quanto a isso não há discussão. A técnica usada pela construtora é obsoleta, ou seja, não a utilizamos em obras de engenharia desse porte. Ela traz um custo menor, mas gera mais patologias, como tem gerado, tendo em vista as rachaduras de 30 cm a 40 cm de comprimento. Isso não é normal. Esses problemas comprometem a vida útil da obra." No planejamento original estavam previstas contenções em solo reforçado, com manta geotêxtil, com parâmetro em placas de concreto. Ao contrário, estão sendo executados muros de gravidade.
Em nota publicada na última semana, o DER argumenta que as rachaduras são uma "fatalidade rara". "Tão logo foi detectado o problema, todas as medidas foram tomadas, dando segurança a obra. Além do reforço na estrutura, o DER também vem fazendo e continuará a fazer o monitoramento do viaduto", declarou o diretor técnico do órgão, Amauri Medeiros Cavalcanti.
Alegando que o viaduto é seguro, o DER pediu ao MP que as obras sejam retomadas. Ainda segundo o texto, todas as medidas de segurança teriam sido tomadas durante a construção.


