CDs piratas voltam às ruas de Londrina
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 08 de junho de 2004
Adriana Savicki<br> Reportagem Local 
Depois de muito tempo sem aparecer, principalmente por conta da concorrência maciça com o Camelódromo, os vendedores ambulantes de CDs falsificados voltaram às ruas de Londrina. Ontem, a reportagem da Folha flagrou pelo menos quatro ambulantes atuando no Calçadão. A volta pode estar relacionada com um acordo feito entre os camelôs e a Promotoria de Investigações Criminais, (PIC), proibindo a comercialização de CDs piratas no Camelódromo.
Discretos, eles apresentam o produto sobre pequenas caixas de papelão e o grosso do material fica estocado em mochilas. Uma estratégia para tentar driblar a fiscalização da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) dois fiscais estavam a menos de duas quadras do grupo e também facilitar a fuga.
Sucessos populares de artistas nacionais e internacionais e os temas de novelas são comercializados a R$ 5,00, menos de um terço do produto original. Sem que a reportagem se identificasse, os vendedores afirmaram ser residentes de Cambé (13 km a Oeste de Londrina). O grupo vem a Londrina quase que diariamente.
No último fim de semana, o setor de fiscalização da CMTU registrou seis apreensões de produtos comercializados irregularmente no Calçadão, entre elas CDs piratas. ''A questão não é o fato de ser pirata, o que a CMTU combate é o comércio irregular'', afirma o assessor de relações comunitárias da CMTU, Francisco Xavier. Ele admite, contudo, que esse tipo de produto já não estava na lista de apreensões da Companhia há algum tempo e argumenta que a volta pode estar relacionada com a proibição de venda de produtos pirateados no Camelódromo.
O acordo entre a PIC e camelôs foi firmado em janeiro e deveria ter acabado com o comércio de CDs e DVDs falsificados. Contudo, nos corredores do Camelódromo algumas bancas insistem em vender o produto, agora exposto em quantidades pequenas. ''É que o pessoal está pegando em cima'', disse um dos lojistas. O preço da loja é o mesmo da rua e os DVDs variam entre R$ 10,00 e R$ 15,00.
O coordenador da PIC, Leonir Batisti afirmou que a promotoria fiscaliza regularmente o local. ''Na última vistoria, há cerca de 15 dias, nada foi encontrado mas iremos novamente lá'', disse. Por sua vez, a presidente da ONG Canaã, Ana Maria Costa, que gerencia o Camelódromo, argumenta que o condomínio não tem poder para impedir a prática. ''Não temos autoridade para proibir. A lei já proíbe a venda e o acordo com a PIC foi firmado com cada comerciante. Eles sabem do risco que correm'', diz.


