Uma equipe do Centro de Direitos Humanos (CDH) esteve no 4º Distrito Policial (DP) no início da tarde de ontem colhendo dados para um laudo sobre a situação do local, cuja carceragem é restrita a mulheres. O estudo será enviado ao juiz da Vara de Execuções Penais (VEP), Roberto do Valle, que está analisando a possibilidade de interdição do 2º e do 4º DPs, que foi requerida pela Associação dos Advogados Criminalistas de Londrina (Acrilon).
A equipe também iria ao 2º DP, mas, segundo Gélson Gil, coordenador do CDH, não foi possível porque era dia de visitas. A vistoria será realizada hoje. ''Nosso objetivo é analisar as condições dos distritos para abrigar os presos'', disse Gil. O 4º DP abrigava ontem 35 detentas num espaço para 24.
Muitas presas reclamaram do pouco tempo para visitas de crianças e para os banhos de sol. ''As crianças só podem ficar conosco uma vez por mês, numa visita de três horas. Além disso, é dificílimo falar com parentes que estão presos também. Tenho um filho na Casa de Custódia, outro no Educandário São Francisco (em Curitiba) e o marido na Penitenciária Estadual de Londrina (PEL). Não os vejo há seis meses'', disse Maria Virgínia Garcia de Almeida, presa por tráfico.
''As celas são superlotadas. A comida é pouca. E esse lugar fede tanto que você não consegue respirar'', reclamou Lucimara Arruda, 25 anos. Em seu cubículo há apenas cinco colchões para seis presas, o que obriga uma delas a dormir no chão.
No primeiro corredor, Dalva Lúcia Guimarães, 52 anos, presa por roubo, disse viver uma situação dramática. ''Tenho o (vírus) HIV há cinco anos. Aqui, não recebo visita de médico há um mês, não recebo remédios e durmo no chão. Eu não aguento mais'', desabafou. Ar abatido e cansado, ela mostrou as manchas que tinha no braço aos técnicos do CDH.
O delegado do 4º DP, Roberto Hummig, disse que a estrutura do distrito não permite alterações nos horários de visita. ''Ficaria muito complicado. No caso das crianças, se permitíssemos mais horas de visita, poderia haver algum risco'', disse ele. Sobre o caso da presa que se diz portadora do HIV, Hummig afirmou que uma enfermeira já está acompanhando a detenta e que esta semana ela diria se existe necessidade de que Dalva seja transferida.
Após a vistoria, Gélson Gil disse que irá sugerir melhoras no distrito, mas não a interdição, que, no caso, serviria apenas para impedir que o DP recebesse novas presas. O juiz Roberto do Valle diz que, independente dos pareceres do CDH, da Pastoral Carcerária, da Vigilância Sanitária e do Departamento Estadual de Construção, Obras e Manutenção (Decon), sua intenção é interditar os DPs. ''Se eu achar necessário'', disse ele.

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