Vistoria do Centro de Direitos Humanos (CDH) de Londrina, realizada ontem à tarde, confirmou o que imprensa e autoridades sabem há tempos. O 2º Distrito Policial (DP) está superlotado e os detentos não têm condições mínimas de higiene e acomodação previstas em lei. Hoje deve ser enviado um relatório ao juiz de Execuações Penais de Londrina, Roberto do Valle. No documento, o CDH sugere a redução de permanência no distrito.
Ontem, 215 detentos se espremiam em uma espaço destinado a 62 pessoas. Em cada cela, de aproximadamente nove metros quadrados, coabitam até 15 presos, menos de 1,2 metro disponível para cada um. ''Na atual situação é impossível viver'', comentou o coordenador do CDH, Gelson Gil. Em sua avaliação, além do risco sanitário e o desconforto, a superpopulação é responsável pela dificuldade dos presos no acesso à assistência jurídica, comunicação com familiares e até recebimento de alimentação. O CDH também recebeu denúncias de interrupção no tratamento de saúde.
O detento Edilson Aparecido Ferreira, 32 anos, confirma as péssimas condições da cadeia. ''Não temos espaço para receber visitas. Banheiro e água para banho só durante meia hora por dia'', reclamou o rapaz que ocupa uma posição privilegiada e dorme no corredor. Ele é um dos presos de confiança responsáveis pela ''correria'' prestação de pequenos serviços aos detentos.
Edilson é o retrato da morosidade da Justiça. Ele está preso há 81 dias prazo máximo permitido por lei para permanência em cadeias provisórias enquanto espera o encerramento do inquérito que responde por estupro de sua companheira. Segundo ele, a moça é sua esposa e, por ser menor, ele foi acionado pela família dela na Justiça. ''Até agora nem mandaram meu inquérito para a Justiça'', disse o ex-catador de papel.
A principal proposta do CDH para avaliar a situação é diminuir o tempo de permanência dos detentos para, no máximo, 30 dias. ''É o tempo necessário para terminar o inquérito'', justificou Gil. Outras sugestões são a transferência de presos para a Casa de Custódia de Londrina (CCL) ou interdição do 2º DP.
O delegado do 2º DP, Manoel Pelisson, taxou como inviável a sugestão de reduzir a permanência dos presos. Ele também rebateu as denúncias. Segundo ele, todos os detentos que pedem atendimento de saúde são avaliados no distrito e a maioria ''quer apenas dar uma voltinha''. Ele também negou o racionamento de água e afirmou que alimentos enviados por familiares só são retidos se encontradas substências proibidas, o que seria bastante comum, segundo o delegado que mostrou uma bandeja de iogurte recheada de maconha.

mockup