O comerciante Gelson Ailton Gil, membro do Centro de Direitos Humanos (CDH) de Londrina, requereu ontem no 5º Batalhão da Polícia Militar (BPM) providências contra um soldado da corporação. De acordo com a denúncia do comerciante, o nome completo do soldado da PM não foi identificado. Gil acusa o policial de abuso de poder por tê-lo revistado com truculência, inclusive apontando um revólver para sua cabeça, na manhã de anteontem, numa rua do Jardim Interlagos (zona leste), a poucos metros da residência dele.
O denunciante, que estava acompanhado da assessora técnica do CDH, Rosângela Ferreira, entregou o requerimento ao subcomandante do 5º BPM, major Manoel da Cruz Neto. ‘‘No início fiquei surpreso, pasmo com a violência do policial, que me mandou sair rapidamente do carro e me tratou com arrogância. Depois de passado o susto, refleti e fiquei chateado. Afinal, é assim que alguns policiais tratam os cidadãos comuns; sem nenhuma educação’’, comentou Gil, que voluntariamente é também coordenador de um programa para recuperação de drogados.
Segundo Gil, depois da revista e da conferência de seus documentos, o soldado da PM teria dito que se tratava de uma operação de rotina e dado uma risada irônica. O major Manoel Neto acolheu a reclamação e determinou a imediata abertura de sindicância interna para investigar as circunstâncias da revista e apurar as denúncias dos membros do CDH.
A sindicância, que é um procedimento administrativo, dará amplo direito de defesa ao soldado acusado e terá relatório final em 15 dias, de acordo com o subcomandante do 5º BPM. Caso fique comprovado que houve excesso na atitude do policial, ele poderá ser punido com medida disciplinar. ‘‘Um policial não tem o diretito de cometer este tipo de humilhação e agressão contra as pessoas na rua’’, comentou Gil.
O major Manoel Neto agradeceu a atitude do diretor do CDH, lembrando que o comportamento de um ou outro policial não deve ser confundido com o de todo batalhão. ‘‘É sempre bom que as pessoas façam este tipo de denúncia, para que o comando possa tomar as providências e melhorar os serviços que prestamos à comunidade. Isto deve servir como alerta à nossa corporação’’, disse o subcomandante.
A ironia da ocorrência fica para o fato de que Gelson Gil, através do CDH, tem sido nos últimos meses um dos principais defensores de melhores condições salariais e de trabalho para os PMs, que conforme mostrou uma recente série de reportagens da Folha, trabalham sob constante tensão e convivem com alto grau de estresse.

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