A coordenadoria do Centro de Direitos Humanos (CDH) em Londrina recebeu, nos últimos dias, duas denúncias de torturas e maus tratos que teriam sido cometidos por homens do 5º Batalhão da Polícia Militar (BPM). Dois rapazes teriam sido confundidos com assaltantes e, mesmo negando participação, agredidos com socos, pontapés e ameaças.
O primeiro fato teria ocorrido no início da noite do dia 11 de junho. De acordo com o coordenador do CDH, Gelson Gil, um funcionário público municipal que trabalha num posto de saúde na zona oeste estava retornando de bicicleta para casa, na zona sul, quando foi abordado por uma equipe da Rone (equipe especial da PM). Os policiais teriam alegado que o rapaz era suspeito de ter praticado um assalto a um posto de gasolina, momentos antes da abordagem.
Segundo Gil, na revista, os policiais encontraram um revólver com o rapaz, que teria sido encaminhado até o posto mas não reconhecido pelas vítimas. Depois, ainda de acordo com o coordenador, a viatura seguiu com ele até um terreno baldio onde teria ocorrido o espancamento. Só depois, o rapaz foi encaminhado para a 10 Subdivisão Policial. Gil disse que o rapaz não tem antecedentes criminais e usava o revólver para se defender, pois trabalha numa região violenta da cidade.
O outro caso teria ocorrido na segunda-feira. Um jovem de 18 anos teria sido abordado por um PM numa loja no Calçadão (área central) e o apontado como autor do furto de uma camiseta. Segundo o CDH, o rapaz estuda, trabalha e também não possui antecedentes criminais. Mesmo negando o crime, o policial teria agredido o jovem, pois haveria uma rixa entre eles. O rapaz foi preso.
O representante do CDH acompanha as duas ocorrências, mas alegou que tem dificuldades em acompanhar casos como este, pois não conseguem informações da PM sobre as sindicâncias internas que apuram os fatos. ''Vamos pedir a punição dos culpados'', declarou Gil. O coordenador da regional Sul do Movimento pelos Direitos Humanos, Jorge Custódio, sugeriu a criação de uma ouvidoria civil para apurar denúncias contra PMs.
A Folha procurou o comando do 5º BPM, mas ninguém foi localizado para falar sobre o assunto já que não há expediente à tarde, às quarta-feiras.

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