CDH pede providências para cemitério
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segunda-feira, 01 de março de 1999
Lucilia Okamura 
Três meses após ocorrerem violações de túmulos, o cemitério Jardim da Saudade, na zona norte de Londrina, continua abandonado, com iluminação insuficiente, mato ao redor da área e falta de segurança. As queixas foram feitas ontem de manhã por representantes do Centro de Direitos Humanos (CDH), moradores e a vereadora Elza Correia (sem partido). Eles visitaram o local e cobraram providências do poder público.
O Jardim da Saudade é o maior cemitério da cidade e ocupa uma área de cinco alqueires. No dia 2 de dezembro, três túmulos das últimas fileiras do cemitério foram violados. O corpo de uma mulher de 38 anos foi removido do caixão e há suspeitas de que a pessoa tenha mantido relações sexuais com o cadáver. Os casos estão sendo investigados pelo 5º Distrito Policial.
Na época, familiares da vítima e entidades se manifestaram e reclamaram da situação de abandono do cemitério, o que facilitaria a entrada de pessoas estranhas no local. Apesar da gravidade e da repercussão do caso, o matagal continua e a possibilidade de repetição do fato é grande, afirma o coordenador do CDH, Carlos Roberto Scalassara.
Ontem de manhã, familiares e representantes das entidades deram uma volta no cemitério e constaram que um matagal de cerca de três metros de altura cobre o muro dos fundos. Para estar dessa altura, imagine o tempo que não é feita a roçagem, reclama a vereadora. O mesmo muro está balançando e prestes a cair.
Mario CesarA falta de iluminação é outro problema. Apenas dois postes colocados no meio do cemitério são utilizados para iluminar toda a área. Sebastião Dionísio Lopes, irmão da mulher cujo túmulo foi violado, conta que costuma passar à noite em frente ao cemitério para voltar do trabalho para casa. É uma escuridão total, resume. Ele reclama também da falta de um vigia noturno.
A irmã de Lopes, Isabel, diz que a família vai ao cemitério pelo menos uma vez por semana e diz que nada mudou desde o início de dezembro. O descaso com a segurança continua, afirma. Ela cobra providências da Administração de Cemitérios e Serviços Funerários de Londrina (Acesf).
Maria Florinda de Lima, do Conselho Comunitário Feminino, também pede melhorias no cemitério, observando que a parte dos fundos não é asfaltada. Ela conta que tem um filho enterrado no cemitério e quando ficou sabendo das violações, ficou preocupada. Fiquei apreensiva não só com o meu filho, mas também com outras pessoas enterradas aqui porque isso (violação) pode acontecer com qualquer um , ressalta. É preciso respeitar o direito dos mortos, acrescenta.


