Uma comissão do Centro de Direitos Humanos de Londrina (CDH-Lda) esteve ontem na Vila Rural João Inocente, em Cambé, (13 km a oeste de Londrina) para iniciar um levantamento da realidade vivida pelas famílias. Além da dificuldade de arranjar trabalho, as famílias afirmam que o lote é pequeno (5 mil m2) e a terra é fraca para garantir a subsistência.
‘‘Tudo indica que o programa não está tendo a eficiência proposta e, na base dos problemas atuais está o não cumprimento de promessas como apoio técnico e humano’’, avaliou Bruno de Oliveira, da comissão agrária do CDH. Ele passou o dia na vila conversando com as famílias.
Posteriormente um técnico agrícola do CDH-Lda vai avaliar a área e a qualidade da terra da vila rural para emitir um parecer técnico sobre a situação. A entidade pretende desenvolver o mesmo trabalho em todas as 28 vilas rurais da região de Londrina. ‘‘Queremos saber se o mesmo problema está se repetindo nas demais vilas e buscar soluções para negociar com o Estado as adequações necessárias’’, informou Oliveira.
No caso da vila rural de Cambé, o primeiro desafio do CDH-Lda será convencer a Companhia de Habitação do Paraná (Cohapar) a rever a decisão do despejo de três famílias. Na vila há 50 meses, uma delas pagou duas prestações, outra cinco e a terceira nenhuma prestação. A valor inicial da prestação (pela casa e terreno) era R$ 20,00 e hoje está em R$ 35,92.
O advogado Carlos Fernandes da Veiga, da Rede Nacional de Advogados Populares, que integra o CDH-Lda, contesta a decisão da Cohapar. ‘‘Em casos como estes a negociação nunca deve cessar. É lamentável que um projeto criado para ajudar acabe lesando as famílias’’, analisa. Ele já entrou com recurso junto ao Tribunal de Alçada de Curitiba para reverter a decisão.
O gerente regional da Cohapar em Londrina, Olavo Roberto de Arruda Campos, disse que não há como voltar a negociar porque a decisão ‘‘foi tomada pelo Conselho Regional e não se apoiou apenas na inadimplência’’, garante. Informou que para ser inseridas no programa as famílias têm de cumprir requisitos mínimos como cultivar a área, garantindo espaço para culturas de sobrevivência e manter um bom relacionamento com os vizinhos.
Campos frisou ainda que a proposta do projeto das vilas rurais nunca foi garantir renda e independência financeira para as famílias. Segundo ele, as vilas rurais foram criadas para possibilitar qualidade de vida para as famílias que vivem na zona rural. ‘‘Na entressafra estas famílias ficavam sem trabalho e sem ter onde morar. A Vila Rural veio para resolver esta questão, não para substituir o trabalho ’’, reforça. De acordo com a regional da Cohapar de Londrina, são poucos os casos iguais aos de Cambé.

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