CDH fará vistoria no 2º DP
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segunda-feira, 02 de junho de 2003
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
Mesmo com apenas 68 vagas, a carceragem do 2º Distrito Policial (zona leste de Londrina) abrigava no final da tarde de ontem 200 presos. Há celas em que mais de 15 pessoas ficam espremidas sem as mínimas condições de higiene e saúde. O clima no distrito está insustentável, segundo o juiz corregedor da Vara de Execuções Penais (VEP), Roberto do Valle, e o temor é que a situação saia do controle.
No sábado, alguns presos tentaram fugir mas foram contidos pelos policiais. Eles chegaram a quebrar um cadeado e entortaram a porta de uma das celas. ''A situação (no 2º DP) está pior do que quando a Casa de Custódia de Londrina (CCL) foi inaugurada.''
Hoje, representantes do Centro de Direitos Humanos (CDH) e da Pastoral Carcerária farão uma vistoria no 2º DP. O CDH e a Pastoral também deverão ir ao 4º DP, que abriga apenas mulheres. Ontem havia 34 presas em 24 vagas.
O trabalho foi solicitado pela VEP depois que a Associação dos Advogados Criminalistas de Londrina (Acrilon) pediu a interdição dos distritos. O Departamento Estadual de Construção, Obras e Manutenção (Decon) vai avaliar a estrutura predial dos dois distritos. A Vigilância Sanitária também já fez levantamento sobre as condições sanitárias e higiênicas.
Essas vistorias irão embasar o pedido feito pela Acrilon e a decisão do juiz de interditar o 2º DP, que deverá ser conhecida em duas semanas. ''A interdição ocorreria no sentido de proibir a entrada de mais presos'', comentou Valle.''Os delegados terão duas alternativas: ou descumprem a ordem judicial ou mandam os presos para lugares desativados.''
Mais uma vez, o juiz lembrou que pediu ajuda ao governo do Estado solicitando a construção de mais uma unidade prisional em Londrina, mas não recebeu nenhuma resposta. Seu pedido de colocação de mais dois presos por cela na CCL foi atendido parcialmente. A direção da prisão admitiu apenas um por cela, o que resultou na entrada de 40 presos, mas a refeição para estes detentos está sendo fornecida pelo 2º DP.
Via assessoria, o Secretário do Estado de Justiça e Cidadania, Aldo Parzianello, declarou que a falta de vagas no sistema é um problema estadual. Ele afirmou que soluções estão sendo buscadas e citou como exemplo o início do funcionamento da Penitenciária Estadual de Ponta Grossa. Já a Penitenciária Metropolitana, em Piraquara, com 430 vagas, começará a receber presos nos próximos 90 dias. ''O aumento de presos nas celas, apenas colocando colchões no chão, não é a solução mais adequada.''


