CDH denuncia tortura na Casa de Custódia
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 27 de março de 2002
Érika Pelegrino Reportagem Local 
O Centro de Direitos Humanos (CDH) de Londrina denuncia hoje à Polícia Federal (PF) a prática de tortura na Casa de Custódia. O coordenador do CDH, o advogado Jorge Custódio, vai encaminhar um documento relatando o espancamento de três presos e pedindo a abertura de inquérito policial na PF por crime de tortura.
Após receber uma série de denúncias de parentes de presos, uma comissão formada por representantes do CDH e da Pastoral Carcerária esteve ontem à tarde na Casa de Custódia e constatou que os presos estão sendo vítimas de espancamento, humilhações e maus-tratos por alguns agentes penitenciários.
Jorge Custódio afirmou que pelo menos três presos possuem lesões corporais.
Um deles estava escarrando sangue e não conseguia andar. Ele estava sendo carregado pelos companheiros, disse. Este preso teria sido espancado por um segurança da Casa de Custódia na terça-feira à noite.
Cinco agentes penitenciários foram apontados como autores das constantes agressões físicas, provocações e humilhações. São denúncias contundentes. Os mesmos nomes foram ditos por diversos presos, afirmou Jorge Custódio. Os nomes tanto dos internos quanto dos funcionários não foram divulgados pela comissão.
Os outros dois presos, que também apresentam lesões corporais, teriam sido espancados pelo Pelotão de Choque durante a revista de presos na segunda-feira de manhã, após a fuga de quatro presos naquela madrugada. O coordenador do CDH afirmou que além das agressões físicas, os presos estão sem água, a energia elétrica é cortada durante à noite e ontem os parentes foram proibidos de entregar comida.
Todas às quarta-feiras era permitida a entrada de sacolas com alimentos e cigarros. Ontem as esposas foram comunicadas de que não seria mais permitido. A ordem é de que seja entregue apenas material de limpeza. Muitas esposas estavam revoltadas com a situação. Dalvina Ridão afirmou que esta determinação era uma retalição devido à fuga na madrugada de segunda-feira, e estava preocupada com a possibilidade de espancamento. Os presos já apanharam uma vez e isto pode ter acontecido de novo. Só vou ficar tranquila quando conseguir falar com meu marido no domingo, disse.
O diretor da Casa de Custódia, Edison Marcos Tomas, afirmou que não tinha conhecimento de espancamentos e que isto seria investigado e se comprovado, os responsáveis seriam punidos. Ele disse desconhecer que algum preso estivesse gravemente ferido. Nenhum preso reclamou, senão teria sido atendido pelo médico hoje (ontem) de manhã, afirmou.
O corte de energia e a restrição à alimentação entregue pelos parentes dos presos, são medidas, segundo Edison Tomas, de prevenção e não de retaliação devido à fuga na madrugada de segunda-feira.


