CDH denuncia espancamento
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 03 de abril de 2002
Érika Pelegrino<br>Reportagem Local 
Integrantes do Centro de Direitos Humanos (CDH) entregaram ontem, ao juiz da Vara de Execuções Penais (VEP) e corregedor de presídios Roberto do Valle, relatório sobre a atuação do Pelotão de Choque e de agentes de disciplina (funcionários da empresa Humanitas) durante a rebelião na Casa de Custódia de Londrina (CCL). O documento traz denúncias de espancamento de presos e de ofensa moral a membros do CDH.
Dois representantes do CDH entraram nas galerias da CCL para acompanhar a revista dos presos durante a rebelião, embora o Pelotão de Choque tentasse impedir. No relatório a comissão explica que em um primeiro momento não foi permitido que acompanhassem o retorno dos presos às galerias, mas pôde-se ouvir os gritos de dor e sons parecidos de pancadas, ficando claro que eles estavam apanhando.
O coordenador do CDH, o advogado Jorge Custódio, negociou então com o diretor da CCL, Major Edison Marcos Tomas e conseguiu permissão para acompanhar todos os momentos da revista. Ele afirmou que a partir de então viu um agente de disciplina da CCL agredindo os presos no retorno às celas e falou com alguns deles que confirmaram as agressões.
Segundo o advogado, neste momento o Pelotão de Choque suspendeu a operação sob alegação de que o CDH estava atrapalhando a ação e um dos policiais (o nome não é citado) o agrediu verbalmente. Custódio disse que continuaria acompanhando a revista, já que tinha autorização do juiz. Segundo ele, as agressões aos presos e as ofensas ao CDH continuaram.
O juiz disse que irá montar um procedimento com base no relatório e irá pedir ainda esta semana o afastamento dos agentes de disciplina citados tanto no caso do espancamento de três presos na semana passada quanto na noite da rebelião, até que sejam apuradas as denúncias.
No caso dos policiais militares o juiz irá encaminhar ofício com as denúncias para o comandante do 5º Batalhão da Polícia Militar, tenente-coronel Rubens Guimarães, solicitando a abertura de inquérito policial militar.
Guimarães afirmou que vai instaurar um procedimento administrativo no caso dos policiais militares apontados como agressores. Quanto às ofensas morais, ele disse precisa ter conhecimento do teor.


