CDH apura denúncia de maus-tratos
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quarta-feira, 30 de abril de 2003
Fernanda Bressan<br> Reportagem Local 
''Estou isolado e sendo espancado todo dia. (...) Tiraram o meu colchão, estou sem nada''. Este é um trecho da carta enviada pelo detento Marcelo da Silva para sua esposa Edmara dos Santos, no último dia 25. Edmara recebeu a carta na segunda-feira e pediu ajuda ao Centro de Direitos Humanos (CDH). Para verificar a denúncia de maus-tratos, o coordenador estadual do Movimento dos Direitos Humanos, Jorge Custódio, e o coordenador do CDH, Gelson Gil, estiveram ontem na Casa de Custódia de Londrina (zona sul), onde Silva estaria preso.
Para a supresa de Edmara, Silva já tinha voltado para a Penitenciária Central do Estado, em Curitiba, na segunda-feira. Ele veio para Londrina no dia 9 de abril para ser julgado no Tribunal do Júri. Segundo o diretor da Casa de Custódia, major Edson Tomaz, ele ficou no local a pedido do comando do 2º Distrito Policial. ''Ele é um preso com características perigosas e faz parte o Primeiro Comando do Paraná (PCP)'', afirmou Tomaz.
Tomaz salientou que desconhecia denúncias de que o detento havia apanhado. ''Ele estava no isolamento porque é muito rebelde e incitou e participou de movimento para subverter a ordem'', descreveu. Porém, um boletim de atendimento médico com data do dia 14 de abril descreve que Silva apresentava um hematoma vermelho de três centímetros na parte frontal da cabeça. Ele foi medicado com o antiinflamatório Voltarén.
Com base nessa informação, Gil acredita que algo realmente pode ter acontecido. ''A chance da carta ter fundamento é grande até porque ele foi medicado'', observou. Custódio acrescentou que seria feito um contato com Curitiba para saber o que realmente aconteceu. ''Quando um detento faz uma denúncia por escrito é porque alguma coisa está acontecendo. Na ficha médica diz que ele tem um hematoma, mas só vamos ter certeza através de exame'', apontou Custódio.
Edmara contou que seu marido está preso há sete anos por assalto mas foi absolvido no Tribunal do Júri dia 16. Ela disse ainda que ele deve estar em liberdade em seis meses. ''Não quero que soltem ele agora, se ele fez alguma coisa errada tem que pagar. Só quero que parem de bater nele'', pediu.


