CCZs vão muito além da carrocinha
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quarta-feira, 30 de dezembro de 2009
Marian Trigueiros<BR>Reportagem Local 
Seja pelo mato alto, sujeira ou até mesmo desequilíbrio ecológico, animais peçonhentos, roedores, insetos e diversas outras pragas acabam invadindo residências e ameaçando a saúde da população. Nem tão repulsivos, mas igualmente perigosos, aves, como as pombas e urubus, e animais domésticos abandonados nas ruas também entram no rol de transmissores de doenças.
Mas quando nos deparamos com esse tipo de situação, a quem recorrer? Em muitos municípios, o trabalho é realizado pela Secretaria do Meio Ambiente em parceria com outros órgãos, como o Corpo de Bombeiros. Até mesmo por isso, a implantação de Centros de Controle de Zoonoses (CCZs) tem sido exaustivamente discutida em muitas administrações como a possível solução para o problema da superpopulação de animais e pragas. Neste caso, o centro é subordinado à Secretaria de Saúde.
No Paraná, existem atualmente sete centros: em Araucária, Curitiba, Foz do Iguaçu, Maringá, Pinhais, Ponta Grossa e São José dos Pinhais. Segundo a chefe da divisão de zoonose da Secretaria Estadual da Saúde, Giselia Burigo Guimarães Rubio, cada município deve pleitear a construção de um CCZ junto ao Ministério da Saúde, com verba federal. ''O ministério também pode financiar a compra de equipamentos. Em contrapartida, toda a equipe técnica e manutenção do local ficará sob responsabilidade do município, e este fará a gerência de acordo com a necessidade local.''
Para ela, um centro de zoonose é importante tanto na orientação da população, quanto no manejo dos animais. ''Os profissionais são habilitados para identificar doenças e fornecer orientação técnica. Há inúmeras doenças que a população ainda desconhece como se prevenir. Além disso, a integração dos centros com a vigilância epidemiológica fornece informações fundamentais para o diagnóstico de doenças'', explica.
Em Londrina, a discussão dura anos, e até hoje nada saiu do papel. O secretário de Ambiente, Carlos Levy, garante que em breve será anunciado um projeto. ''Será um Centro de Saúde Animal, um conceito diferente de centro de zoonose. Vamos trabalhar com foco no bem-estar animal'', disse.
Microchip
Na Capital do estado, o CCZ começou atuando na desratização, em 1992, depois estendeu suas atividades para a captura de cães. Contudo, hoje, o trabalho é muito mais abrangente. Apenas os animais com potencial de agressividade e que oferecem risco à saúde humana são executados. ''Se não oferecer nenhum risco, no caso dos cães, eles são castrados, vacinados, tatuados com um número e entregues à adoção. As pessoas têm que entender que um CCZ é muito mais que oferecer serviço de 'carrocinha' e um canil municipal.''
Na Capital, o centro faz acompanhamento de casos que provoquem doenças no ser humano. ''Temos 56 profissionais, entre agentes, veterinários e biólogos, que trabalham ativamente na prevenção de doenças, como a leptospirose, febre amarela e ainda na retirada de colônias de morcegos, serpentes, além das castrações.''
No começo do ano, outra iniciativa realizada pela Rede de Defesa e Proteção Animal, coordenado pela Secretaria de Meio Ambiente, deu início a um cadastro pessoal e, há 20 dias, à implantação de microchips subcutâneos em animais.
''O proprietário de qualquer animal pode se cadastrar no www.protecaoanimal.curitiba.pr.br e ver a lista de clínicas conveniadas. Pretendemos sensibilizar os proprietários da importância de identificar seu animal.'' Até agora, o site já possui 5 mil cadastros. Destes, 500 receberam os microchips.


