CCC - um trio inesquecível
A sigla não tem nada a ver com o famoso CCC - Comando de Caça aos Comunistas - grupo paramilitar de direita da época da ditadura. CCC são as letras iniciais de Circuito, Caruso e Colega. E, apesar da coincidência dos nomes começarem com a letra C, eles eram bem diferentes entre si. Circuito, por exemplo, tinha mania de recepcionar políticos e outras personalidades que chegavam à cidade. Mal punham os pés no saguão do Aeroporto, lá estava ele fazendo seus origamis para vender aos visitantes. Quando recusavam a sua oferta, ele tinha um estratagema infalível: aprontava um berreiro tão grande que o assediado prontamente pagava o que ele pedia.
Certa vez, na Exposição Agropecuária de Londrina, ele chegou numa roda de rapazes, cumprimentou todo mundo aos pulinhos e, num piscar de olhos, fez uma girafa e entregou a um dos presentes dizendo: ''Toma, é seu, paga 10 cruzeiros, né!''
Quando o moço disse que não queria, que não tinha pedido nada, o danado do japonês fingiu um ''acesso de nervo'', começou a falar chorado, a dar pequenos murros no peito do rapaz com as duas mãos, e a gritar, com a voz fininha e ardida, pra todo mundo ouvir, que ele não queria pagar o origami que tinha pedido. E ficou ali, para delírio da platéia, agarrado na ''vítima'' e berrando até conseguir o que queria.
Já o Caruso vivia em outra realidade. Caminhando pelo Calçadão, de repente ele parava e, sem ninguém esperar, soltava um grito tonitruante, que assustava todo mundo. Gritava e seguia adiante, olhar perdido na paisagem.
Quando pedia esmola, Caruso só se dirigia a conhecidos, fregueses de longa dat,a que já conheciam seu jeito de pedir: ele se postava calado ao lado da pessoa que, conhecendo a artimanha, dava-lhe a quantia de praxe e ele ia embora sem agradecer ou dizer qualquer palavra. Diz a lenda que ele foi visto recusando esmola de desconhecido, chegando mesmo a desacatar o atrevido por tomar tal liberdade.
Já o Colega era a simpatia em pessoa. Sempre sorridente, educado. Sua abordagem - ''E aí, colega, tem cincão pra me dar?'' -, só mudava de valor, variando de acordo com a pinta ou cara do freguês.
E, então, será que João Bosco e sua bicicleta psicodélica conseguem entrar para essa galeria de notáveis? Não dá para negar que ele começou bem, afinal ''ter trilha sonora em novela e carregar milhares de reais num embrulho'', não são pra qualquer um, não. Só lhe falta um apelido para ter mais charme. Ele só não gosta de ser chamado de laranja.
''Eu não sou laranja, estou mais pra acerola! E não foi tanto dinheiro assim, não dá nem pra comprar um jatinho executivo. E chega de conversa porque senão quem vai preso sou eu, isso se não acontecer coisa pior.
- Que coisa pior, João?
- ?





