Carlos AlmeidaMata São FranciscoEmpresário Antônio Ermírio de Moraes e o governador Jaime Lerner na solenidade de entrega do parqueA Companhia Brasileira de Alumínio (CBA), do Grupo Votorantim, entregou ontem para o governo do Estado a Mata São Francisco, localizada às margens da BR-369, entre Santa Mariana e Cornélio Procópio. A mata constitui-se na maior reserva florestal da região. A inauguração do Parque Estadual foi acompanhada pelo governador Jaime Lerner (PFL), o empresário Antônio Ermínio de Moraes, presidento do grupo Votorantim, pelos secretários do Meio ambiente do Estado, Hitoshi Nakamura, e da Companhia Energética de São Paulo (Cesp), Daniel Saleti, além de autoridades da região.
A área de 823 hectares foi comprada pelo grupo Votorantim por R$ 2,8 milhões para compensar as terras que serão alagadas pelos lagos das hidrelétricas Canoas 1 e 2, que estão sendo construídas no Rio Paranapanema. ‘‘A mesma preocupação que temos com as áreas alagadas e nossas usinas em outras regiões, vamos ter aqui no Norte também’’, disse Lerner.
Costa NorteO governador revelou que já está em andamento o planejamento para a implantação da Costa Norte. ‘‘Vamos aproveitar todas as possibilidades turísticas para balancear os investimentos econômicos da região’’.
Para o empresário Antônio Ermínio de Moraes, não há mérito nenhum na entrega da reseva florestal porque vê a preservação ambiental como um dever. ‘‘Se nós vamos construir duas usinas, alguma coisa temos que dar para conservar o meio ambiente’’, disse. ‘‘Ninguém vai sair perdendo porque as desapropriações estão sendo pagas à vista’’.
Aves exóticasDurante a cerimônia de entrega do parque, foi efetuado a soltura de aves exóticas de oito espécies, uma praxe da Cesp em obras compensatórias. Com a construção das usinas Canoas 1 e 2, a exploração energética do Rio Paranapanema ficará esgotada.
Até 1982, os proprietários da mata não haviam demonstrado interesse em desmate. Após este período, motivado pela cobrança do Imposto Territorial Rural e pelo alto valor das terras agricultáveis da região, iniciou-se o desmatamento correspondente ao determinado pela legislação.
‘‘Começou então a motivação regional no sentido da preservação definitiva e a possível transformação da área em unidade de conservação’’, explicou o superintendente regional do IAP, Antônio Carlos Bruno.
Segundo ele, com o projeto das usinas hidrelétricas de Canoas 1 e 2, negociou-se a aquisição da mata e sua transferência ao Estado como forma de compensação ao impacto ambiental gerado pela construção das usinas.

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